quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Pavê de Sonho de Valsa e Recordações



O aroma de lavanda se espalhava pela casa suavemente no exato momento em que Henrique releu o bilhete de despedida deixado sobre o travesseiro. Estava sentado na varanda, observando o alvorecer e olhando uma deliciosa porção daquele pavê de sonho de valsa que Valderina deixara na geladeira antes de viajar. A sua doce Val, sempre fazendo coisas para adoçar sua vida!

O céu estava de um azul bem claro com nuances alaranjadas e douradas do sol que despertava. Lá embaixo carros corriam freneticamente numa luta intensa pelo primeiro lugar nas pistas destoando completamente da paz que reinava ao seu redor. Henrique olhava o bilhete como quem olha um diamante: com admiração total, lembrando-se da despedida na manhã anterior.

Decidiu deixar o bilhete de lado e pegou a taça de vidro que continha a sobremesa. Val não gostava desse seu hábito de comer doces pela manhã, mas quem ligava? Ela estava viajando! Levou à boca uma colherada do doce e – deleitando-se com a textura macia e leve do mesmo e a explosão de sabor - imediatamente foi levado de volta ao passado, mais exatamente falando, à primeira vez em que Val preparara aquela sobremesa para ele... 

Início de namoro - havia 19 anos - conheciam-se há apenas uma semana. Valderina (Que raio de nome é esse? Pensou Henrique quando conheceram) com aquele seu jeito meigo, convidou-o a sua casa para experimentar uma nova receita que ela queria testar enquanto tomavam um vinho. Henrique aceitou o convite com um receio enorme dessa coisa de ser cobaia, mas estava apaixonado, o que mais poderia fazer senão aceitar? Levou uma garrafa de vinho branco chardonay e algumas flores do campo. Era visível que ela tinha gostado, seus olhos brilhavam como pedras preciosas.

Ele entrou. Ela o convidou para ir até a cozinha e servir o vinho enquanto ela preparava a receita. Conversaram muito e a conexão entre eles foi imediata. Era como se conhecessem a vida toda. Henrique ficou embasbacado com a beleza de Valderina – embora um tanto incomodado com seu nome - enquanto cozinhava e percebeu que aquele ambiente acentuava ainda mais sua delicadeza. Após o jantar, ela serviu a sobremesa que preparou naquele momento. Sua perdição! Lembrava a receita desde então:

Para o creme era necessário 1 lata de leite condensado, 1 lata de leite, 1 gema, 4 colheres de sopa de chocolate em pó, 1 colher de sopa de margarina e 1 colher de sobremesa de maisena diluída em leite gelado. Era preciso levar ao fogo todos os ingredientes exceto a maisena que deveria ser acrescentada quando o creme estivesse prestes a levantar fervura, “lembrando de mexer vigorosamente para não empelotar” – dizia Valderina enquanto mexia o creme. Depois você deixa esfriando e passa para a segunda parte.

Enquanto ela preparava o doce, Henrique sabia que já estava perdidamente apaixonado, que o nome dela era o nome dela e não diminuía em nada a beleza dela ou o amor que ele já sentia e que poderia casar-se com ela naquele momento exato. Mas sabia que não era prudente, então voltou a si quando ouviu-a dizendo: “Henrique, você está me ouvindo?”

E continuava a explicar: “se você quiser pode comprar o chantilly pronto para usar como cobertura, caso contrário deverá bater 1 clara em neve e acrescentar 2 colheres de sopa de açúcar, sempre batendo. Separadamente você deverá bater o creme de leite até o ponto de chantilly e incorporar a clara batida com açúcar.

Para servir você forra o fundo da forma com os biscoitos champagne umedecidos – não pode deixar de molho no leite senão vira papa, é só para passar no leite – por cima coloca o creme frio e espalha os bombons picados. Cobre com a cobertura ou chantilly e leva à geladeira. Antes de servir coloca no congelador por 10 minutos. Decora com bombons e é só devorar!”.

Valderina colocou o pavê na geladeira e levou Henrique para a sala. Conversaram e bebericaram por mais ou menos meia hora quando ela então se levantou e sorrindo o sorriso mais exuberante que Henrique já havia visto, foi até a cozinha e serviu o pavê em duas tacinhas de vidro. Quando Henrique levou a primeira colher à boca, tinha certeza de que era apenas questão de tempo e ele então se casaria com aquela mulher. E, de repente, da forma mais natural que pode perguntou: você se incomoda se eu te chamar de Val? - Ambos olharam-se e riram muito - daquelas risadas bem gostosas que puxam de dentro da gente - até que ela disse sim e eles beijaram-se apaixonadamente.

Hoje ele tinha certeza de que tomara a decisão certa, era feliz e apesar dela ter partido há menos de 24 horas ele ansiava por seu doce retorno com avidez. 

Obs.: Está faltando a foto do doce pronto porque eu esqueci de tirar! Desculpem.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Cebolas Crocantes em Caldas Novas


Quinta-feira, janeiro de 2011. Xuxu tido uma semana daquelas... E ainda estava tendo. Tudo de que precisava era de um convite do tipo irrecusável. E ele surgiu! Fim da tarde, quase enlouquecida toca o celular e uma colega diz: “Seguinte, quer ir para Caldas Novas com a gente? vai eu, Thaís, Mel e a Vanda. Você não vai ter que pagar nada, só o que consumir lá. Gasolina, hotel, já está tudo certo. O que me diz?”

E o que mais ela poderia dizer senão sim?! Acertaram os detalhes da partida e aguardou ansiosa. Na sexta-feira, por volta das 16:30h ela ligou informando que sairiam por volta das 18h. Tinha que correr para casa, arrumar as coisas, tomar um banho e estar pronta. Ela com certeza iria esquecer alguma coisa.

Chegaram a Caldas por volta de 23h, foi quando se tocou que tinha esquecido os apetrechos das lentes de contato... fazer o que né? Farmácia existe para isso... Assim, fizeram o check in, colocaram as coisas no hotel e foram dar uma volta na cidade. Não havia muita coisa, Caldas é assim: em fim de semana prolongado lota, em fim de semana normal é mais vazio. Nas férias é meio termo. Sentaram-se em um barzinho na praça central, ao lado de um com música ao vivo, assim podiam curtir a música sem pagar o couvert.

Cerveja gelada sempre pede um acompanhamento, e frango a passarinho pareceu ideal. Pediram uma porção. Quando o frango chegou, coberto por cebolas finamente cortadas em rodelas envoltas por uma leve camada de algo que parecia farinha de rosca, todas atacaram as cebolas antes do frango. E foi a escolha certa, o frango estava bom, mas aquelas cebolas! Hum! Crocantes, com um leve sabor cítrico - como se houvessem sido embebidas em limão - que em contato com as papilas gustativas provocavam uma leve sensação de torpor. Estavam simplesmente de - li - ci - o - sas!

Ficaram ali, curtindo a cerveja e discutido a receita daquelas cebolas. Foram ‘obrigadas’ a pedir uma porção só de cebolas. Cebolas crocantes era o nome da porção. Comeram, conversaram e de vez em quando voltavam à receita das cebolas até que a dona do bar sentou-se a sua mesa. Conversaram, elogiaram as cebolas, pediram a receita e ela, é claro, veio com toda aquela história de receita da casa, segredo e coisa e tal.

O bar fechou por volta de 1 da manhã, passaram na farmácia, Xuxu comprou soro fisiológico para as lentes de contato e voltaram para o hotel. Ficaram na piscina até um pouco mais tarde e foram dormir. No dia seguinte, curtiram o parque aquático e à noite foram a uma festa, mas o gostinho daquelas cebolas permaneceu nas suas memórias e vez ou outra surgiam nas conversas descontraídas.

Domingo era dia de ir embora, mas é claro que aproveitaram tudo o que podiam. Lá pelas 16h resolveram ir à praça da cidade tomar um Cozumel - cerveja temperada com suco de limão, sal e gelo triturado servida na taça com borda grossa de sal - delícia! E no barzinho onde pararam o dono garantiu que eles fariam as cebolas crocantes para elas. A porção chegou e de cara souberam que não era a mesma cebola. Eram cebolas empanadas, com a casca bem grossa e muito macias, pouco crocantes. Ainda assim, pela simpatia e boa vontade do dono do estabelecimento decidiram aproveitar o momento para terminar aquele agradável final de semana entre amigas.

Na hora de ir embora, não resistiram. Xuxu e Mel foram até o outro barzinho e pediram à dona a gentileza de chamar a cozinheira para ensinar a receita. E qual não foi a surpresa das duas quando ela chamou a dona Cleide? Que veio lá do fundo, com avental xadrez e redinha na cabeça, pegou a mão de Xuxu e com um largo sorriso disse: “minha filha corte as cebolas em rodelas bem finas – você viu lá como é né? - deixe de molho de um dia para o outro em vinagre com sal. Depois passe rapidamente por farinha de trigo (ela jurava que era farinha de rosca!) e frite em óleo bem quente. Coloque sobre um papel absorvente e depois é só comer”.

Xuxu disse: E só isso dona Cleide? Suas cebolas são demais! Obrigada! Beijou-lhe carinhosamente as mãos e foram, satisfeitas e estupefatas com a simplicidade do prato que não saiu das suas lembranças. Como não podia deixar de ser, voltaram para o carro combinando o próximo encontro na casa de alguma delas para tomar Cozumel acompanhado de Cebolas Crocantes da dona Cleide!

Se alguém do grupo já repetiu o prato, não tenho conhecimento. Mas enquanto em Fortaleza fiz essas cebolas na casa das meninas (Cri e Rê), num churrasco da minha despedida – que acabou se tornando o churrasco de comemoração pela extensão do meu tempo em Fortal – e todo mundo adorou! É isso... o prato é simples. Simplesmente delicioso para um tira gosto!


Dica: Quando fizer fritura, coloque para ferver água com alguns cravos. A água deve estar fervendo quando você começar a fritura. O aroma do cravo se sobrepõe ao da gordura e sua casa não fica com aquele cheiro forte de óleo. 

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Escondidinho de Morangos em Fortaleza


Eita que essa minha visita a Fortaleza rendeu. Rendeu matança de saudades. Rendeu boas risadas. Rendeu boas saídas, visitar velhos lugares, conhecer lugares novos. Rendeu bons encontros e receitas – muuuuitas receitas.

Quando venho a Fortaleza – sim porque estou por aqui esse mês inteiro – graças a Deus, várias pessoas me recebem em suas casas. Acho isso uma delícia porque a gente mata saudades de forma mais completa: conversando sobre o que vivemos hoje, o que foi vivido no período em que estivemos distantes, nas trivialidades do dia a dia...

A Cri e eu
A Cri – minha amiga Cristina Elena – é minha amiga há uns 8 anos. Nos conhecemos quando eu morava aqui em Fortaleza. E a nossa amizade foi se fortalecendo com o passar dos anos, mesmo à distância. Desse jeito que as amizades vão crescendo sabem? Vivendo alegrias e compartilhando problemas. Matando saudades e dando boas risadas. Coisas que toda boa amizade contém.

Então, como eu ia dizendo, a Cri é uma dessas pessoas que me recebe sempre que vou à Fortal, seja por um dia seja por um mês (e olha que receber uma visita por um mês não é todo mundo que está disposto, mas ela está).  E dessa vez não foi diferente, ela me recebeu. Por todos os 30 dias. Montei base na casa da Cri e da Rê - que é uma gracinha -, e ando dormindo na casa de todo o povo que me convida para suas casas.

Em algumas oportunidades cozinhei para as pessoas lindas que têm me recebido aqui. Já fiz Salpicão de Frango, Pavê Trufado e Torta Salgada (2 vezes). Mas para o meu aniversário, as meninas – a Cri e a Rê – me deixaram fazer um churrasco no deck do condomínio onde elas moram. Para a sobremesa, resolvi fazer Surpresa de Uvas, uma receita que aprendi quando morava aqui em Fortaleza. Mas a Cri me disse que não é lá muito fã de uva – e como ela está me recebendo, melhor agradar né? Vai que ela resolve não me deixar mais ficar na casa dela só por causa de umas uvinhas? Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

E vamos combinar que morango e chocolate é uma combinação mais que perfeita. Então substituí a fruta, mudei o nome e fez sucesso. Usei:

2 caixas de morangos lavados e sem o cabo cortados em metades ou picados
1 lata de leite condensado
1 barra de 180g de chocolate amargo ou 4 colheres de sopa de chocolate em pó
2 colheres de leite em pó
½  lata de leite
1 caixinha de creme de leite
2 colheres de vinho tinto ou conhaque
1 colher de sopa de margarina

Fiz um brigadeiro branco mole usando o leite condensado, o leite, o leite em pó e a margarina. Deixei esfriar. Para o ganash, derreti o chocolate amargo no microondas, misturei o creme de leite em temperatura ambiente e o conhaque.

Para montar, em um refratário coloquei todo o brigadeiro branco e deixei esfriar. Cobri com os morangos e por cima o ganash de chocolate. Deixei gelar e servi.
O brigadeiro branco não pode ficar no ponto de brigadeiro senão fica muito duro, pois o doce é gelado. Também não é bom que fique muito mole para não misturar com o ganash. Precisa ficar firme.

A galera aprovou geral. A minha satisfação sempre é ver nas carinhas de “ai que delícia” a aprovação do povo. Esse doce foi servido no churrasco de domingo, depois da praia. A festa continuou regada a muita animação e boas risadas. Diverti-me à beça. Não tinha muita gente, mas acho que todo mundo se divertiu. E apesar das saudades e de querer comemorar com meu povo querido e amado de Brasília, tenho que agradecer a Deus essa oportunidade tremenda de estar aqui nesse momento.

Agora já estou sentindo um aperto quando penso que falta pouco para voltar pra casa. Quando eu for embora, a casa vai esvaziar um pouco – aquela que é tão espaçosa que enche uma casa – rs rs rs. E eu, vou sentir saudades. Das pessoas, dos momentos, da praia. E devo dizer que vou sentir muitas saudades da Cri... e da Rê... e da Vidinha (a poodle linda com quem converso horrores dentro de casa). E o coração vai apertar de novo. E em algum momento, vou querer me programar para voltar.

O negócio está aí: venho e volto e as saudades acabam voltando também. O que é bom, assim sempre que a gente se vê a vida fica ainda mais gostosa!
Rê, eu e Cri

Eu e a Vidinha na nossa posição favorita:
tomando a fresca no sofá
o ventilador na nossa frente!
Para o churrasco do sábado, eu fiz o Pavê de Sonhos de Valsa, mas essa receita vai ficar para outro texto. 

Variação: Minha amiga Bella, fez essa receita fazendo um beijinho no lugar do brigadeiro branco - usando côco ralado no lugar do leite em pó e disse que ficou maravilhosa - tive que testar para postar aqui, e o negócio ficou bom demais!
Obrigada Bella! 

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Bolo de Grude da Lu




Assim que chegávamos à casa da Luzia, eu e a Su já íamos gritando do portão: Luuuuuuuuuuuuuu! E era aquela algazarra: abraços e beijos e todo mundo falando ao mesmo tempo. Uma confusão que só a gente entendia! Uma delícia de bagunça armada no bairro José Valter em Fortaleza, onde a Lu morava na época.

Numa das primeiras vezes em que fui à casa da Lu, quando chegamos ela já foi logo dizendo: chegaram na hora certa, acabei de fazer um bolo.
Ao que eu fui logo respondendo: não sou muito fã de bolo Lu!
E ela prontamente replicou: acho que desse você vai virar fã porque ele é diferente. É um bolo salgado.
Salgado?! perguntei - Ah, então é capaz de eu gostar mesmo.

A Luzia estava certíssima, não só gostei como me apaixonei. Devo ter comido umas 4 fatias! O bolo é realmente delicioso. Virei totalmente fã. Assim como a Cri, que também apaixonou no bolo da Lu. E eu e a Cri, o apelidamos de Bolo de Grude da Lu.

A Su foi embora para a Paraíba, e eu para Brasília. Quando vim embora de Fortaleza, a Lu me deu a receita e me ensinou a fazer o bolo de grude. É super fácil:

400g de queijo (a Luzia usa o coalho, mas já fiz com mozzarela)
3 ovos
¼ de xícara de óleo
1 copo e um pouco de leite
3 xícaras de polvilho azedo
 Sal à gosto


Bate tudo no liquidificador exceto o polvilho que deve ser misturado à massa depois de batida. Coloca em forma untada com óleo e assa em forno pré-aquecido a 200º por 30 minutos ou até o garfo sair limpo. Pronto!

O povo que gosta de café, diz que esse bolo é um ótimo acompanhante para o 'pretinho'. Eu, como não gosto como é puro mesmo, com refrigerante, suco, achocolatado... Pra mim, a estrela do lanche é o Bolo de Grude da Lu! Normalmente, os outros bolos de queijo - como são chamados - têm uma consistência meio de pão de queijo, um pouco seca. O da Lu não, o da Lu tem uma consistência 'puxenta', 'liguenta' mesmo. É um autêntico bolo de grude. Sem tirar o mérito das pessoas que fazem e gostam do bolo de queijo, eu prefiro o 'grudento', do jeito que a Lu me apresentou.

Então, todas as vezes em que vou a Fortaleza, a primeira coisa que peço para a Cri é avisar a Luzia que estou chegando e quero bolo de grude. Ela sempre faz o bolo e parece que está cada dia melhor. Já fiz algumas vezes aqui em Brasília, mas o dela parece que tem alguma coisa a mais. Acredito que seja o tempero, normalmente ela tempera com muito amor e, depois que eu vim embora, acho que ela coloca saudade em abundância.

Dessa vez que vim a Fortaleza por um mês, não foi diferente, a Luzia fez um bolo e chamou a gente – eu, Cri, Rê, Ráquel e Marilza - para ir lanchar na casa dela. Gente, pode parecer impossível, mas acho que foi o bolo mais gostoso que ela já fez. E todo mundo concordou.

Ainda hoje, quando nos falamos ao telefone, grito num tom incomparável: Luuuuuuuuu! E parece que esse grito acende um pavio que queima incessante do outro lado quando ela grita: Ciiiiiiinthia!

Eita, saudade é uma coisa louca mesmo né? A gente revê as pessoas várias vezes, fala ao telefone, mas dentro do coração fica aquele gostinho de quero mais. Saudade de fazer as coisas junto, da companhia, de sair, de ficar em casa sem fazer nada, só na companhia das pessoas queridas. É realmente um dos melhores temperos da vida!
Eu e a Lu


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Pavê Trufado e Memórias


"Quando Deus trabalha, a obra é perfeita!". Ouvi essa frase inúmeras vezes na minha vida, mas nesse mês de outubro, Deus resolveu me presentear e desde o início pude vivenciar essa frase nos meus dias. Exatos 10 anos depois de ter pisado em Fortaleza pela primeira vez, fui enviada para lá novamente. Desta vez para passar um mês, a trabalho.

Fiquei muito feliz e empolgada com a oportunidade. Eu precisava desse momento: precisava rever as pessoas, matar as saudades, me sentir em Fortaleza novamente não como uma mera turista, mas como alguém que já viveu nessa terra e deixou história e saudades. Claro que a primeira coisa que fiz quando cheguei foi ir à praia, como não podia deixar de ser. E matar saudades da gastronomia local - comi caranguejo, camarão, lagosta, tapioca. De tudo um pouco – também foi imprescindível. A experiência estava sendo deliciosa.
O impagável foi poder rever várias pessoas queridas que deixei no Ceará. As que foram na mesma época que eu e as que conheci pelo caminho. Pessoas lindas, de coração delícia que me receberam e me abrigaram tão bem quando morei nessa terra de calor intenso. Pessoas que participaram de momentos bons e ruins, que compartilharam alegrias e tristezas, que viveram um pouquinho da vida comigo.
Uma outra chance fantástica para mim foi comemorar não só o meu aniversário na cidade, mas estar presente na comemoração de um querido colega de trabalho o Márcio. Conhecemos-nos logo no início do treinamento, ainda em Brasília. A confraternização serviria ainda para matar saudades das pessoas que ainda não tinha visto.
Cada um levava uma coisa: pão, queijo, presunto, bolo, suco, e por aí vai. Eu me ofereci para levar um pavê trufado. Sobremesa deliciosamente simples e gostosa que aprendi num desses meus encontros gastronômicos. Foi sucesso geral: todo mundo adorou! E eu que já estava feliz por demais por estar rodeada de tantas pessoas queridas, fiquei a ponto de explodir de satisfação. Afinal de contas, tem satisfação maior quando você faz uma receita e todo mundo gosta?
O Pavê é ridiculamente fácil e não há uma só vez em que você o faça e não receba elogios. Anote a receita aí:
1 barra de 180g de chocolate meio amargo
1 barra de 180g de chocolate branco
2 caixinhas de creme de leite
6 colheres de bebida alcoólica clara – rum, conhaque, vinho branco, whisky (até cachaça eu já usei)
1 caixa de biscoitos champanhe
Leite para molhar os biscoitos
Molhe uma forma para bolo inglês e forre com filme plástico. (facilita para retirar)
Derreta o chocolate no microondas por 1 minuto. Retire do micro, mexa para ficar homogêneo e acrescente 1 caixa de creme de leite. Acrescente 2 colheres da bebida escolhida e deixe incorporar bem. Despeje a mistura na forma já forrada.
Umedeça os biscoitos champanhe numa mistura de leite e 2 colheres da bebida escolhida. Não pode deixar de molho, tem que umedecer rapidamente para os biscoitos não perderem a firmeza. E cubra o chocolate que já está na forma.
Repita o processo com o outro chocolate e despeje por cima dos biscoitos da forma. As duas trufas de chocolate não se misturam.
Repita o processo dos biscoitos e coloque por cima da segunda camada de chocolate. Leve ao congelador até ficar firme. Aproximadamente 4 horas.
Você pode escolher qual o chocolate quer que fique por cima. O que você colocar no fundo da forma, é o que ficará por cima. Dessa vez escolhi o amargo. Essa sobremesa tem a textura bem macia e a mistura de sabores perfeita. Teste. Garanto que você e seus convidados vão adorar!
Para desenformar, retire do congelador uma meia hora antes de servir (pode deixar na geladeira ou fora dela se não estiver muito calor), molhe a forma do lado de fora. Puxe o filme plástico em toda a extensão da forma até sentir soltar. Depois coloque uma travessa por cima e vire o pavê. Caso ele não saia da forma imediatamente, bata levemente no fundo da forma. Retire o filme plástico e sirva!

Eita que matar saudades é bom, mas matar saudades comendo Pavê Trufado é incomparável!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Bruschettas com Vinho na Varanda


Pelo fato de ter morado algum tempo em Fortaleza, trago comigo várias histórias interessantes de lá. Essa é mais uma. No meu último ano lá, morei num condomínio fechado que tinha 20 casas. A minha era em cima. A dona Gorete (carinhosamente apelidada por mim de dona Gogó) morava lá com seus 3 filhos Varna, Sedna e Naiche (valha, e não tinha nomes mais diferentes para batizar esses meninos não?)  e sua Neta Paula (Ufa, ainda bem que a mãe não resolveu aderir, vai saber o que poderia surgir!). Todos esses nomes diferentes têm o seu significado, depois eu descobri!

Eu adorava o condomínio, e essa família tem uma conexão especial com a minha vida. Uma energia diferente, boa. Eu sempre gostei demais de estar com eles. Dona Gogó foi quem me lembrou esses dias que, quando eu fazia viagens de final de semana para Brasília ou para São Luís ou seja lá para onde fosse, que eu chegava de madrugadinha na segunda-feira, por volta das 5h ou 6h da manhã, acabava perturbando a pobre, porque tinha deixado minha chave não sei com quem ou não a encontrava na mala e precisava entrar para me organizar para o trabalho. Uma mãe a dona Gogó! Nenhum de nós mora no condomínio atualmente, dona Gogó, assim como eu, saiu de Fortaleza e está agora em Campina Grande. Ainda vou visitá-la! Nunca fui à Campina Grande.

Eu, Varna e Naiche vez por outra nos reuníamos na varanda de uma das casas e ficávamos tomando vinho e falando besteira. Sempre com alguma coisa para beliscar: queijo, amendoim, salgadinhos... Fosse o que fosse, o importante era a gente se reunir na varanda para 'tomar a fresca' e jogar conversa fora. Ali ficávamos até altas horas. Era uma delícia de programa.

Vinho ainda é minha bebida favorita! E, devo reforçar que, tomar vinho em Brasília é mais agradável do que em Fortaleza porque não é tão quente, o clima favorece o consumo da bebida. Então, de vez em quando, para matar as saudades tomo vinho na varanda. A diferença é que naqueles tempos tomávamos vinho na varanda do térreo, agora é no 14º andar. É preciso tomar muito cuidado com os efeitos que esse líquido vai causar! kkkkkkkkkkkkkkk e agora não tem mais Varna, não tem Naiche. Mas sempre têm outras pessoas muito especiais e as histórias são diferentes, mas o prazer é semelhante.

Para acompanhar o néctar gosto muito de fazer bruschettas. Elas são rápidas, fáceis e normalmente podemos usar a imaginação no uso dos ingredientes. Uma que adoro leva um tomate e uma cebola médios, picados em cubos pequenos, queijo parmesão ou gorgonzola (depende do sabor que você deseja alcançar), alcaparras ou azeitonas picadas, azeite, sal e pão. Normalmente o pão italiano cortado em fatias é melhor, para preservar a originalidade da receita, mas quando não tem eu uso o que tiver. Até pão de forma integral já entrou na dança e, sinceramente, ficou bom demais!

Mistura-se todos os ingredientes e coloca-se por cima do pão torrado levemente no forno com azeite. No final gosto de acrescentar uma ervinha tipo alecrim ou manjericão fresco para compor o sabor. Você pode misturar o queijo aos ingredientes ou colocá-lo no pão antes de torrar para que ele derreta. Ambas as opções são boas. Diferentes, mas boas.

Ou então você pode verificar a receita de Antepasto de Pimentões que tem aqui no blog para fazer uma Bruschetta de pimentões. É só utilizar pimentões variados. Eu fiz um antepasto com pimentões vermelhos e amarelos seguindo a mesma receita. Depois coloquei o antepasto por cima do pão torrado. Ficou simplesmente perfeito! Acho que foi uma das mais gostosas bruschettas que já provei – a modéstia é algo que me acompanha!

Aí, é só sentar na varanda, agarrar a taça de vinho e continuar a conversa agradável. Bon apetit!

Esse programa é tão agradável que já fiz ele sentada na varanda com Deus. Na verdade Ele sempre esteve presente. Mas já fizemos isso juntos, só nós dois, observando a lua, as estrelas, pensando na vida e conversando – e devo acrescentar é um programa fantástico.


Eita, matar saudades é bom demais! 

obs.: vou ficar devendo fotos da Varna, Naiche, Dona Gogó... não tenho nenhuma para postar agora. 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Bacalhau de resoluções


Flávia não sabia o que fazer. A ansiedade estava consumindo-a por completo. Gostaria de saber o que fazer com sua vida. Que caminho tomar, por onde seguir. Resolveu tomar uma atitude: fez um check list das coisas a fazer, revisou sua vida umas 30 vezes, repassou seus erros e acertos outras 70 vezes e ainda assim não conseguia se encontrar.  Estava totalmente perdida. Resolveu então fazer a única coisa que lhe acalmava: cozinhar!

Lembrou-se do bacalhau em lascas que havia deixado de molho na geladeira no dia anterior. Retirou o peixe da geladeira - eram mais ou menos uns 500g - pegou também 2 cebolas médias, 6 batatas médias, páprica doce, alecrim, vinagre branco, sal, alho e pimenta do reino a gosto. Azeite, muito azeite.
Ligou para a mãe e para Bruno convidando-os para o almoço e separou duas garrafas de um belo vinho tinto da geladeira, para a adega.

Secou as lascas de bacalhau e passou-as por um pouco de farinha de trigo, depois fritou-as em pouco azeite por aproximadamente 5 minutos, até ficarem douradas. Reservou. Depois, na mesma panela fritou as cebolas, quando elas murcharam acrescentou 2 colheres de sopa de vinagre e páprica a gosto até dourarem. Reservou.

Furou as batatas com um garfo e colocou no microondas por 8 minutos em potência alta. Quando estavam macias, cortou-as em rodelas e - na mesma panela onde tinha fritado o bacalhau e as cebolas - fritou as batatas em azeite e acrescentou o alecrim. Acertou o sal e juntou o bacalhau e as cebolas. Mexeu para incorporar todos os ingredientes e desligou. Serviu numa travessa.  

Enquanto aguardava seus convidados, abriu uma das garrafas de vinho e serviu-se de uma taça. Estava no ponto. Sentou-se no sofá e pôs-se a pensar na vida: todos os lugares pelos quais sonhou passar, as delícias que gostaria de experimentar, as possíveis pessoas que conheceria... Diferentes culturas, belas paisagens. Era tanta coisa nesse sonho que não cabia em seus pensamentos. Pegou o caderno que havia comprado para esse fim e começou a escrever sobre seus sonhos e desejos.

Estava tão perdida em seus pensamentos que nem ouviu a campainha soar. Só se deu conta quando os telefones começaram a tocar juntamente com a campainha e o interfone numa sinfonia absurdamente incômoda. Olhou para o relógio e entendeu que mais uma vez havia se perdido naquele mundo de desejos. Um dia, um dia entenderia porque tanto amor pelo mundo sem ao menos conhecê-lo.

Abriu a porta, atendeu ao interfone e ao telefone ao mesmo tempo. Era hábil para fazer várias coisas ao mesmo tempo. Dona Cilene entrou primeiro, pois Bruno havia descido para tocar o interfone. Ficaram conversando até que ele subisse. Serviu vinho aos convidados e, após alguns minutos, serviu o bacalhau que estava sinceramente saboroso. A combinação dos temperos acentuaram o sabor do peixe, a textura do bacalhau estava ótima e aquelas cebolas eram uma coisa sem comparação. A perfeição do sabor pode ser vista no rosto dos seus convidados. Serviu com arroz integral e uma salada de alface americana, tomates cerejas, manjericão fresco e queijo minas temperada com limão, azeite e sal.

Elogios não faltaram aquele prato. Mais uma vez Flávia sentiu-se imersa num mundo que amava: o mundo dos sabores, texturas e temperos.

É, estava decidido: iria traçar metas e escolher seu objetivo, não podia continuar vivendo dessa forma – insatisfeita com seu emprego, com sua vida, com a não realização de seu grande sonho. Era imprescindível que esse período de aprimoramento acontecesse, e ela sentia em seu coração que isso era apenas o começo de uma nova fase.

domingo, 11 de setembro de 2011

O Tempero da Vida - Almôndegas diferentes




Alissa sempre gostou tanto de receitas que prestava atenção em qualquer lugar: filmes, revistas, conversas alheias (é sério! Sabia que era feio prestar atenção nas conversas alheias, mas isso já rendeu algumas boas receitas). Era assim: onde havia uma receita, estava de antena ligada.

Uma vez uma amiga de infância indicou um filme – a vida pra ela era assim: além de viajar e experimentar novas receitas adorava um cinema – ela disse que tinha visto e achou a cara de Alissa. Teve que ir conferir.

O nome do filme (que existe mesmo) é O Tempero da Vida e se passa parte em Istambul e parte em Atenas, na Grécia. O avô do protagonista tem uma loja de temperos, e ele faz uma metáfora usando os temperos para ensinar astronomia, geografia e coisas da vida ao protagonista quando criança.

Enfim, Alissa gostou muito do filme, a história era boa, as metáforas interessantes e como complemento a boa música e as poucas paisagens mediterrâneas. Mas é claro que o que chamou a atenção foi a receita de Almôndegas que o avô ensina: carne moída, miolo de pão, alho, sal e pimenta a gosto e, canela em pó – é isso mesmo, canela em pó para temperar carne! - Tempera a carne com todos os temperos e o miolo do pão, amassa bem e depois faz as almôndegas. Frita em óleo bem quente.

Ali, o Sr. Vassilis - avô do menino - ensina que se usa a canela em lugar do cominho por ser este muito forte e deixar as pessoas introspectivas. Já aquela é ao mesmo tempo doce e amarga – como todas as mulheres – e faz com que as pessoas olhem nos olhos umas das outras. A mulher que está aprendendo o truque vai cozinhar para a família do pretendente e o Sr. Vassilis diz que, se ela pretende dizer ‘sim’ em resposta ao pedido de casamento deve usar a canela.

Óbvio que depois do filme essa receita foi testada em casa com um molho com tomates frescos batidos no liquidificador, cebolas em cubos bem pequenos refogada em azeite, sal a gosto e uma pitada de açúcar para quebrar a acidez do tomate. Como toque final, uma pitada de canela em pó também no molho. Para as almôndegas usou 500g de carne moída, miolo de 1 pão (ou 1 colher de sopa de farinha de rosca/trigo), 1 colher de sopa de alho amassado, sal e pimenta do reino a gosto e 1 colher de sopa de canela. 


Ao degustar essas almôndegas, ficou constatado que realmente a canela dá um toque especial à receita, e os simples bolinhos de carne passam a ter um sabor fora do convencional. Alissa usou também farinha de rosca ou de trigo quando não tinha o miolo de pão, e a receita ficou muito boa. É apenas uma colher de sopa para 300g de carne, 

Com o passar dos tempos Alissa experimentou receitas com canela em outros pratos e não é que a coisa funciona?! Há que se ter em mente que uma pitada é uma pequena porção e não uma colher de sopa cheia! Mas essa coisa de usar o tempero errado para provar um ponto de vista pode nos levar a lugares antes inimagináveis.

A Grécia era um lugar ainda não explorado por Alissa, Istambul tampouco. Somente através de filmes e livros. Tinho vontade de conhecer ambos os lugares pela culinária exótica, pela diversidade cultural, pela diferença que há intrínseca nas vidas dos habitantes desses lugares. Enquanto não podia estar lá de corpo presente, fechava os olhos enquanto degustava as receitas imaginando-se nesses lugares mediterrâneos...  E meditava na diversidade de temperos para cada vida. E para você, qual o tempero da vida?

Obs.: Quem me falou desse filme foi a Dri (aquela minha amiga de infância que insiste em estar bem presente na minha vida, graças a Deus) e o filme é O Tempero da Vida, vale a pena locar. 

domingo, 28 de agosto de 2011

Cassata de Morango em ritmo de férias

Aos meus leitores mil e uma desculpas pelo silêncio tão prolongado. É que estou de férias e nessa situação esqueço a existência de celular, internet e coisas do tipo. Não gosto nem de dirigir, prefiro esquecer de tudo o que faz parte da minha rotina e me entregar de corpo e alma à experiência escolhida. 

E assim eu fiz, tendo voltado de viagem na quinta-feira passada (25/08) ainda encontro-me em ritmo de férias e como tal escolhi uma receita bem gostosa, simples, prática e perfeita para dias quentes como esses de agosto aqui na capital federal. 

Conheci a Cassata de Morango na pré adolescência, na casa de um amigo. Você vai precisar de uma caixinha de morangos lavados e sem o cabo, um pacote de suspiros quanto menores melhores e um pote de chantily (se preferir pode fazer o chantily você mesmo, eu prefiro comprar porque facilita em muito a receita). Corte os morangos em metades, misture com os suspiros e cubra com o chantily. Pronto! Essa receita tão prática fica deliciosa, a combinação perfeita dos ingredientes permitem uma experiência saborosa, ainda mais quando você está em boa companhia. 

Sobre minhas experiências de férias, falarei no próximo texto. É que vou precisar de tempo para elaborar os textos com carinho e do jeitinho que você gosta de ler. Também terei que organizar as fotos e os roteiros, afinal de contas preciso deixar tudo bem mastigadinho para que meus queridos leitores encontrem dicas úteis para suas próximas viagens. Assim, aguço sua curiosidade enquanto preparo os textos e, é claro, as novas receitas desse segundo semestre. 

Esse texto está curtinho eu sei, mas é que ainda estou em ritmo de férias... prometo que os próximos textos virão recheados como de costume. 
um beijo grande
Cin

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Salada de férias

A apenas um dia da viagem de férias, Alana ainda estava anestesiada. Aquela viagem com que passara a vida sonhando surgiu como um presente: inesperada e inacreditável. Da maneira como tudo aconteceu, poderia não ser real, mas era.

Suas férias só foram confirmadas uma semana antes da data marcada, portanto não havia planejado uma viagem. Logo ela que sempre planejava suas viagens com meses de antecedência. Dessa vez, estava nas mãos do destino, e o destino fora muito benevolente com ela: na última hora, quando estava quase decidida a mais uma vez ir a Fortaleza visitar os amigos e matar saudades, surgiu uma vaga na excursão que sua mãe faria para a Europa.

Os valores super convidativos, a oportunidade de conhecer o velho continente, o convite feito por sua mãe, a possibilidade de utilizar sua dupla cidadania, tudo contribuiu imensamente para que ela se decidisse sem muito pensar. E esse tipo de decisão precisa ser pensado? Essas coisas merecem total impulsividade, foi o que pensou quando tomou a decisão. Logo depois um turbilhão de acontecimentos teve início – tinha pouquíssimo tempo, assim começou a organizar as coisas: mala, seguro saúde, passaporte e uma infinidade de coisas necessárias para a realização desse sonho se concretizar.

E ali estava ela – limpando a geladeira! - A viagem de sua vida ocorreria no dia seguinte e Alana não conseguia se concentrar. Resolveu fazer outras coisas, do tipo que já devia ter feito há tempos. Jogou fora um tanto de coisas esquisitas que estavam no refrigerador: aquelas coisas que você vai guardando porque pode usar depois e acaba não aproveitando, que se transformam em objetos não identificados. Após  a limpeza, a geladeira estava praticamente vazia porque próximo ao início das férias Alana não fazia compras.

Quando a fome bateu trouxe junto uma dúvida do que poderia comer se não tinha praticamente nada em casa. Decidiu ir tirando as coisas da geladeira para verificar o que poderia ser feito:

Um restinho de alface americana
Uma caixinha de tomates sweet grape
4 fatias de salaminho
4 fatias de presunto tipo copa
2 fatias de blanquet de peru
1 fatia de peito de peru defumado
Um pedacinho de queijo gorgonzola
Um pedacinho de queijo gouda – esses frios haviam sobrado da noite de vinhos que Téo preparara há uma semana.
6 morangos
2 colheres de sopa de abacate
Uma porção de batata palha
Molho César light para saladas
Folhas de manjericão da mini horta da varanda

Não havia o que decidir, faria uma verdadeira salada. Delicadamente Alana lavou a alface, os tomates e as frutas. Picou todos os ingredientes e ralou os queijos. Misturou tudo numa tigela de vidro e temperou com manjericão, azeite e limão. Adicionou o molho e misturou até incorporar. Deixou gelar por uns 20 minutos, acrescentou a batata palha e depois se serviu.

Para sua surpresa a salada estava deliciosa. A mistura de sabores ficou perfeitamente leve e refrescante, própria para o ‘calor do agreste’ que fazia em Brasília naquele momento. Enquanto degustava sua mais nova criação gastronômica, sonhava com os destinos que visitaria em breve imaginando quais seriam os novos sabores que descobriria. Que novidades a esperavam? O que lhe reservava o destino a partir de agora? Teria tempo de postar receitas em seu blog?

Na verdade Alana estava tão ansiosa pelo que o futuro próximo lhe reservava que sinceramente não tinha respostas para suas próprias perguntas, mas não estava preocupada. Eram apenas considerações. Naquele momento, decidiu que tentaria postar novidades para seus leitores no blog, sabia, porém, que seria perdoada caso não conseguisse postar nada, afinal de contas todo mundo precisa de férias. E seus leitores entenderiam sua necessidade de dedicar-se de corpo e alma àquela experiência. E, ao deliciar-se com a última garfada de sua salada de férias, vislumbrou o delicioso período de trinta dias perfeitamente iniciado e perdeu-se em pensamentos e sonhos.