domingo, 28 de agosto de 2011

Cassata de Morango em ritmo de férias

Aos meus leitores mil e uma desculpas pelo silêncio tão prolongado. É que estou de férias e nessa situação esqueço a existência de celular, internet e coisas do tipo. Não gosto nem de dirigir, prefiro esquecer de tudo o que faz parte da minha rotina e me entregar de corpo e alma à experiência escolhida. 

E assim eu fiz, tendo voltado de viagem na quinta-feira passada (25/08) ainda encontro-me em ritmo de férias e como tal escolhi uma receita bem gostosa, simples, prática e perfeita para dias quentes como esses de agosto aqui na capital federal. 

Conheci a Cassata de Morango na pré adolescência, na casa de um amigo. Você vai precisar de uma caixinha de morangos lavados e sem o cabo, um pacote de suspiros quanto menores melhores e um pote de chantily (se preferir pode fazer o chantily você mesmo, eu prefiro comprar porque facilita em muito a receita). Corte os morangos em metades, misture com os suspiros e cubra com o chantily. Pronto! Essa receita tão prática fica deliciosa, a combinação perfeita dos ingredientes permitem uma experiência saborosa, ainda mais quando você está em boa companhia. 

Sobre minhas experiências de férias, falarei no próximo texto. É que vou precisar de tempo para elaborar os textos com carinho e do jeitinho que você gosta de ler. Também terei que organizar as fotos e os roteiros, afinal de contas preciso deixar tudo bem mastigadinho para que meus queridos leitores encontrem dicas úteis para suas próximas viagens. Assim, aguço sua curiosidade enquanto preparo os textos e, é claro, as novas receitas desse segundo semestre. 

Esse texto está curtinho eu sei, mas é que ainda estou em ritmo de férias... prometo que os próximos textos virão recheados como de costume. 
um beijo grande
Cin

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Salada de férias

A apenas um dia da viagem de férias, Alana ainda estava anestesiada. Aquela viagem com que passara a vida sonhando surgiu como um presente: inesperada e inacreditável. Da maneira como tudo aconteceu, poderia não ser real, mas era.

Suas férias só foram confirmadas uma semana antes da data marcada, portanto não havia planejado uma viagem. Logo ela que sempre planejava suas viagens com meses de antecedência. Dessa vez, estava nas mãos do destino, e o destino fora muito benevolente com ela: na última hora, quando estava quase decidida a mais uma vez ir a Fortaleza visitar os amigos e matar saudades, surgiu uma vaga na excursão que sua mãe faria para a Europa.

Os valores super convidativos, a oportunidade de conhecer o velho continente, o convite feito por sua mãe, a possibilidade de utilizar sua dupla cidadania, tudo contribuiu imensamente para que ela se decidisse sem muito pensar. E esse tipo de decisão precisa ser pensado? Essas coisas merecem total impulsividade, foi o que pensou quando tomou a decisão. Logo depois um turbilhão de acontecimentos teve início – tinha pouquíssimo tempo, assim começou a organizar as coisas: mala, seguro saúde, passaporte e uma infinidade de coisas necessárias para a realização desse sonho se concretizar.

E ali estava ela – limpando a geladeira! - A viagem de sua vida ocorreria no dia seguinte e Alana não conseguia se concentrar. Resolveu fazer outras coisas, do tipo que já devia ter feito há tempos. Jogou fora um tanto de coisas esquisitas que estavam no refrigerador: aquelas coisas que você vai guardando porque pode usar depois e acaba não aproveitando, que se transformam em objetos não identificados. Após  a limpeza, a geladeira estava praticamente vazia porque próximo ao início das férias Alana não fazia compras.

Quando a fome bateu trouxe junto uma dúvida do que poderia comer se não tinha praticamente nada em casa. Decidiu ir tirando as coisas da geladeira para verificar o que poderia ser feito:

Um restinho de alface americana
Uma caixinha de tomates sweet grape
4 fatias de salaminho
4 fatias de presunto tipo copa
2 fatias de blanquet de peru
1 fatia de peito de peru defumado
Um pedacinho de queijo gorgonzola
Um pedacinho de queijo gouda – esses frios haviam sobrado da noite de vinhos que Téo preparara há uma semana.
6 morangos
2 colheres de sopa de abacate
Uma porção de batata palha
Molho César light para saladas
Folhas de manjericão da mini horta da varanda

Não havia o que decidir, faria uma verdadeira salada. Delicadamente Alana lavou a alface, os tomates e as frutas. Picou todos os ingredientes e ralou os queijos. Misturou tudo numa tigela de vidro e temperou com manjericão, azeite e limão. Adicionou o molho e misturou até incorporar. Deixou gelar por uns 20 minutos, acrescentou a batata palha e depois se serviu.

Para sua surpresa a salada estava deliciosa. A mistura de sabores ficou perfeitamente leve e refrescante, própria para o ‘calor do agreste’ que fazia em Brasília naquele momento. Enquanto degustava sua mais nova criação gastronômica, sonhava com os destinos que visitaria em breve imaginando quais seriam os novos sabores que descobriria. Que novidades a esperavam? O que lhe reservava o destino a partir de agora? Teria tempo de postar receitas em seu blog?

Na verdade Alana estava tão ansiosa pelo que o futuro próximo lhe reservava que sinceramente não tinha respostas para suas próprias perguntas, mas não estava preocupada. Eram apenas considerações. Naquele momento, decidiu que tentaria postar novidades para seus leitores no blog, sabia, porém, que seria perdoada caso não conseguisse postar nada, afinal de contas todo mundo precisa de férias. E seus leitores entenderiam sua necessidade de dedicar-se de corpo e alma àquela experiência. E, ao deliciar-se com a última garfada de sua salada de férias, vislumbrou o delicioso período de trinta dias perfeitamente iniciado e perdeu-se em pensamentos e sonhos. 

terça-feira, 26 de julho de 2011

Um Jantar Caribenho ou seria Mexicano?


Um silêncio constrangedor pairava no corredor quando Arlete chegou em casa. Normalmente, ao sair do elevador, já ouvia a confusão das crianças correndo pelo apartamento e gritando uma com a outra. Aquela bagunça enchia a casa de alegria! Mas as crianças estavam de férias, viajando com a avó para o Rio de Janeiro. Restava no apartamento apenas Arlete, Getúlio e um silêncio arrasador.

Arlete foi andando devagar, tentando acostumar-se com aquela ausência de barulho. Colocou a chave na fechadura e, vagarosamente, abriu a porta. A mesa já estava posta e sobre a toalha branca havia uma vasilha com guacamole, uma com sour cream e outra com doritos. Duas taças contendo uma bebida verde clara com uma espuma branca por cima: só podia ser Pisco Sour. Seus olhos brilharam de desejo...

Getúlio havia preparado uma noite caribenha para curtirem aquela noite. Havia pego o livro de receitas da esposa e preparado tudo.
Para o Pisco Sour usou:
2 doses de pisco
3 doses de sumo de limão
1 colher de sopa de açúcar
1/4 de clara de ovo
Gelo a gosto

Porém, como não sabia o que fazer para separar 1/4 de clara, resolveu fazer 4 receitas, usando assim 1 clara inteira. Bateu tudo no liquidificador e serviu pouco antes de Arlete chegar. Aquela noite prometia...

Para a Guacamole usou:
1 abacate médio maduro
1 tomate maduro em cubos
1 cebola média em cubos
sumo de 1 limão pequeno
sal
pimenta
1 dente de alho amassado

Misturou todos os ingredientes e pronto.

O sour cream deu um pouquinho mais de trabalho:
a primeira receita era mais difícil pra ele primeiro porque não tinha batedeira e depois porque tinha que saber o ponto certo. No mais, não tinha a menor ideia da existência de um creme de leite que fosse fresco. Para essa receita, devia misturar 250 ml de creme de leite fresco (porque não tem soro) e o sumo de 1 limão, batendo até obter o ponto de iogurte, menos cremoso que o chantilly. depois devia acrescentar o sal, e a pimetna do reino. E então levar à geladeira até atingir um ponto cremoso.

Quando estava por desistir do sour cream, encontrou outra receita, que lhe pareceu um pouco menos complicada. Teve que misturar:
1 pote de iogurte natural (usou desnatado porque a esposa preferia)
1 caixinha de creme de leite (sem frescura)
sumo de 1 limão

Depois que o creme estava homogêneo colocou na geladeira e, ao servir, misturou mais um pouco.

Ao ver o rosto de Arlete se iluminando ao entrar em casa, Getúlio não teve dúvidas de que a ideia havia sido boa. Era impagável ver o lindo rosto de Arlete se iluminando aos poucos e abrindo aquele sorriso delicioso que ele tanto amava, num singelo: obrigada pela surpresa!
Sempre que Arlete preparava essas receitas, cortava massa de pastel em formas triangulares e fritava-as para usar como nachos, mas achou tão linda a atitude do marido que não se importou em comer doritos.

Getúlio não era assim o "ás" da criatividade, mas de vez em quando gostava de agradar Arlete que sempre ficava feliz com as pequenas atitudes, e daquela vez não foi diferente. O Pisco sour e a pimenta da guacamole contribuíram para quebrar aquele silêncio que fez Arlete temer ao chegar em casa, e ambos protagonizaram cenas de ação e barulho sem sentir falta das crianças.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Uma surpresa para Mariana: Bolo de Chocolate com Coco

'G' estava super empolgada com aquela nova 'empreitada' a que tinha se disposto. Ela e Mariana eram amigas desde os 4 anos, na Escolinha da Tia Nair. Lembrava-se muito bem de como tornaram-se amigas. No primeiro dia de aula todas as crianças começaram a rir quando a professora a apresentou e disse seu nome pedindo às crianças para serem legais com ela e levarem-na para conhecer a escola. Todo mundo riu muito e ficou fazendo piadinha. Mariana, ao contrário, levantou-se, pegou sua mão e sorrindo carinhosamente disse:
- Oi G, eu sou a Mariana e acho que vamos ser grandes amigas! Vem comigo, vou te mostrar a escola. Não liga pra eles não, eles são todos uns bobões! - E desde então nunca mais se separaram. Quando se formaram na alfabetização e foram para o Ensino Fundamental, fizeram questão de ir para a mesma escola e ficaram na mesma turma.

Hoje era o aniversário de Mariana. 12 anos. Já eram amigas há 8 anos! Muita coisa legal tinha acontecido nesses anos. Tinham aprendido muita coisa juntas. Então G, que já tinha permissão da mãe para fazer receitas simples, teve a ideia de fazer uma surpresa para sua melhor amiga: escolheu um delicioso bolo de chocolate com coco. Entrou na cozinha decidida e começou a separar os ingredientes:

1 lata de leite condensado
1 lata de leite
6 ovos
200g de chocolate em pó ou 250g de nescau (usou o chocolate porque Mari preferia chocolate mais forte e menos doce)
1 pacote de coco ralado

Depois pegou o liquidificador, colocou todos os ingredientes dentro e bateu até misturar tudo. G achou estranho porque a massa não levava farinha, nem manteiga, nem fermento, mas estava desse jeito no livro de receitas da mãe então seguiu tudo a risca. Também estranhou a massa do bolo ser tão líquida, parecia mesmo um chocolate batido, mas enfim, estava escrito assim. Untou uma forma de bolo inglês com manteiga (uma camada bem fininha) e despejou toda a massa dentro. Para testar o sabor untou também duas forminhas de petit gateaut e colocou um pouco da massa ali.

Havia ligado o forno elétrico a 200º para pré aquecer, conforme dizia a receita, antes de começar a separar os ingredientes. Então colocou a forma e as forminhas no forno e marcou 45 minutos no cronômetro da mãe.

Enquanto isso, misturou 1/2 lata de leite condensado, 2 colheres de chocolate em pó e 1 colher de manteiga. Colocou tudo no microondas por 4 minutos. Depois que esfriou juntou um pouco de creme de leite para ficar mais mole, como um brigadeiro mole.

Aos 30 minutos tirou os bolinhos do forno, cobriu com a calda de brigadeiro e polvilhou um pouco de coco ralado por cima, levou à geladeira. Quando soou o alarme, espetou um palito de dentes no bolo e, como saiu limpo, desligou o forno. Colocou a cobertura por cima, polvilhando com um pouco de coco ralado. Deixou esfriando sobre a pia e foi chamar a mãe para experimentar o bolinho com ela.

Sentaram-se na sala e a mãe realmente gostou daquela experiência culinária, enchendo a filha de elogios. G ficou toda cheia de si. Mas essa sensação não durou muito tempo. Quando sua mãe entrou na cozinha e viu a cozinha toda suja, gritou muito aborrecida: GETINAAAAALIAAAAA! Vem aqui agora!

G – que odiava aquele nome mais que tudo na vida - havia feito uma confusão na cozinha: esqueceu de tampar o liquidificador e 'voou' liquido marrom pra todo lado. G nem se abalou, o importante era que o bolo estava gostoso. E no mais, sua mãe sabia que não devia chamá-la por esse nome horroroso: Getinália! Onde é que já se viu alguém com um nome tão esquisito, estranho e feio como esses? Nunca entrara em detalhes com a mãe, mas sabia que a mãe quisera homenagear seus avós – Getúlio e Anália – mas tinha que ser justo no seu nome? Não tinha outra forma de fazer uma homenagem não?

Desfez-se dos pensamentos, arrumou a mesa da sala, colocou umas velinhas cor de rosa no bolo, caixas de suco, refrigerantes e os salgadinhos que havia encomendado sobre a mesa. Quando Mari chegou, as outras amigas já estavam na sala e G já havia retirado o bolo da geladeira (onde ficou por 1h aproximadamente). Mariana mal pode acreditar naquela mesa tão linda, aquela festa tão gostosa. E, quando experimentou o bolo, começou a encher a amiga de elogios, G sentiu-se a menina mais feliz do mundo!

Aos seus 12 anos, G já sabia: a vida é uma experiência deliciosa com as mais variadas pessoas (muitas delas más). Existem coisas boas e ruins – seu nome era prova disso - mas o que não podem faltar são os amigos. Os verdadeiros amigos são joias preciosas, devem ser cuidados carinhosamente. E ela tinha uma amiga valiosa que pretendia manter por toda sua vida.


segunda-feira, 4 de julho de 2011

Bananas Flambadas com Sorvete de Creme

O dia estava lindo, mas por dentro ela estava totalmente nublada. Sua alma estava cinzenta, seu espírito alagado. Então Thais se levantou, tentou ler um pouco e, quando já não agüentava mais, derramou-se em lágrimas. Foi impossível conter-se, as lágrimas simplesmente brotavam e, em segundos, ela estava chorando copiosamente. Estava infeliz, insatisfeita. Não Sabia onde perdera o rumo, nem se podia melhorar as coisas com uma única ação. Mas não importava, pois não tinha a mínima ideia de que decisão tomar. Qual seria a atitude correta para melhorar as coisas.

O telefone já tinha tocado várias vezes. Recebeu alguns convites os quais, normalmente, não declinaria. Mas não naquele dia. Não estava em condições de encarar programas sociais. Tomou um belo banho e se arrumou. Ligou para Bruno e quando se viu estava programando um almoço. Foi a melhor coisa que fez, tomaram umas cervejinhas, comeram bem e riram muito, muito mesmo. Naquele almoço tomou uma decisão: viajaria nas férias, independente da decisão que tivesse que tomar para encontrar o rumo em sua vida.

Antes de saírem do bar, Bruno, que já havia percebido a tristeza de Thaís derramando uma ou outra lágrima de vez em quando, disfarçadamente chamou o garçom e pediu sorvete de creme com bananas flambadas. Um docinho é sempre bom para levantar o astral.

Bruno lembrava-se bem da vez em que Thaís preparou essa mesma sobremesa para eles, usou:
2 bananas cortadas em fatias ou rodelas
1 xícara de açúcar
1 colher de sopa de manteiga
Raspas de limão
1 cálice de cachaça, rum, conhaque ou outra bebida (clara) que tenha em casa
1 copo de suco de laranja (opcional)

Derreteu a manteiga e dourou levemente as bananas, acrescentou as raspas de limão, uma pitada de canela e o açúcar até derreter. Nesse ponto adicionou o suco de laranja até virar uma calda. Colocou a cachaça e flambou (virou a panela na chama do fogão para pegar fogo) e mexeu até o fogo da panela se apagar. Depois, serviu uma bola de sorvete de creme e colocou as bananas por cima. A mistura da calda com as bananas e o sorvete fez daquela sobremesa  tão simples, um manjar dos deuses. Era perfeita: leve e deliciosa!

Dá pra  ver o fogo
flambando as bananas...
 
Quando a sobremesa chegou à mesa, Thaís mal pode acreditar. Seus olhinhos brilhavam tanto. Com a boca cheia d’água literalmente atacou o sorvete com as bananas. Estava tudo perfeito! O sabor era quase o mesmo de quando ela fazia aquela sobremesa. Bruno acertou em cheio: nada melhor para melhorar os ânimos que boa companhia, regada a cerveja gelada, com muita risada e uma deliciosa sobremesa. É, Thaís ainda não tinha a menor ideia do que fazer com sua vida, mas pelo menos por aquele domingo sentia-se mais leve e tranqüila. Várias coisas na vida valem a pena, só era preciso descobrir por onde seguir. E ela faria isso!

domingo, 19 de junho de 2011

Tartare de Haddock Defumado

Quando Irene entrou no shopping, o circo já estava armado: havia um 'cercadinho' com mesas e cadeiras no centro, e uma bancada de cozinha improvisada com vários utensílios e apetrechos. À entrada gritavam duas mulheres palavras de baixo calão, quase estapeando-se. O rapaz da organização do evento - um workshop gourmet com os mais famosos chefs da cidade - tentava, em vão, apaziguar a discussão cujo motivo ele desconhecia. Tinha algo a ver com o número de vagas, quem iria ou não entrar para participar do mini curso ou coisa parecida, ao que Irene pode entender.

Quando chamou a próxima da lista, Vânia, pela segunda vez, e ninguém se manifestou, Irene, que não estava inscrita, aproveitou a deixa e seguiu até o pequeno balcão. Segura de si, identificou-se como Vânia de Melo Soares, assinou a lista de presença e seguiu para uma cadeira vaga na segunda fileira do lado direito. Sentou-se, acomodou a bolsa no encosto da cadeira e aguardou ansiosa o início da aula.

O chef - parecia ter no máximo 35 anos - apresentou-se como chef de um grande restaurante francês da cidade e disse que trabalhava na área desde os 18 anos. Irene, tão perdida que estava em sua vida, olhara para ele e pensara 'porque a vida não lhe dera essa oportunidade de se encontrar, profissionalmente, tão cedo?'. Então o chef apresentou a primeira receita: Tartare de Haddock defumado. - O que era um tartare? pensou Irene. Quem era o Haddock?  Será que daria para fazer isso para o jantar naquela noite? - É, realmente não sabia se estava no lugar certo.

Surubim defumado
Enfim descobriu que Haddock era um tipo de peixe do Pacífico Norte de sabor suave que, no Brasil, poderia ser substituído pelo Surubim. E que Tartare era um tipo de entrada que poderia ser servido com salada ou torradas. Poderia ser servido inclusive no próximo encontro de amigos, que faria em sua casa na noite seguinte, pensou. Mas não para o jantar dessa noite definitivamente.

Os 500g de haddock poderiam ser encontrados na feira ou nos grandes mercados segundo informações do chef. As outras coisas: 1 manga, 1 xícara de morangos, 1 kiwi, 1 cebola média, 1 pimenta dedo de moça vermelha, 2 limões sicilianos, poderiam ser encontradas nos mesmos lugares.

A receita era simples, deveria cortar tudo em cubos pequenos, misturar tudo em uma tigela e, na hora de servir, temperar com o suco dos limões, azeite e sal à gosto.

O chef serviu em um copo bem pequeno de vidro, pouco maior que uma xícara de café, acompanhado de salada de alfaces variadas. Quando Irene experimentou o tal Tartare, sentiu um misto de prazer e alegria. A textura macia do peixe e das frutas, o combinado do sabor defumado com o doce... Ficou sem palavras! Sim, definitivamente serviria aquela delícia para os amigos na noite seguinte. Teria de correr para encontrar o tal peixe, mas iria valer a pena.

Quando deixou o 'cercadinho', a briga já havia terminado. Soube pelo rapaz que organizava o evento e estava na entrada que uma daquelas senhoras identificou-se como Vânia antes de ir embora, mas que depois da confusão - pois chegaram a estapear-se e rolar pelo chão numa louca confusão de beliscões e puxões de cabelo que precisou da intervenção da segurança do shopping - não se sentia à vontade para participar da aula e decidiu, com toda a classe não lhe cabia, partir.

Irene saiu do shopping correndo. Pegou o metrô até em casa e esquentou uma sopa que havia feito na noite anterior. No dia seguinte, resolveu que faria um peixe assado como prato principal. Serviu o Tartare de Surubim (que era mais barato que o Haddock) defumado em potinhos de louça pretos e brancos, sem o acompanhamento de folhas. Decorados com manjericão fresco. E o peixe assado com um tempero bem suave. A noite foi um sucesso! Os amigos elogiaram  tudo, mas quiseram saber especialmente o que era aquele tartare e onde Irene havia aprendido a receita.

Irene contou toda a história e a noite que já estava animadíssima, recheou-se com as gargalhadas do grupo e a alegria que enchia o ambiente. Irene sentiu-se imensamente abençoada por ter tantos amigos queridos. E aquela noite, demorou a terminar. Regado a muito vinho o Tartare e a história de Irene foram as celebridades da noite.  

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Spicy coxinhas da asa

Lucinha passou correndo pelo portão do edifício onde morava. Já estava muito atrasada para o jantar a dois que tinha combinado com o marido. Esbaforida entrou no hall e bum, escorregou no piso molhado! Não tinha visto a placa de advertência - aquela amarelinha informando: Cuidado, piso molhado! – Caiu de bunda no chão. Pacotes para um lado, bolsa para o outro, uma confusão só.

Desajeitada começou a catar as coisas espalhadas pelo chão. O rapaz da limpeza, que minutos antes não sabia se ria ou se corria em socorro da moradora, mais que depressa largou o rodo e começou a catar as coisas e colocar na bolsa de compras de Luisa que, toda sem graça, agradecia a cada instante. Ele ajudou-a a se levantar e segurou a porta do elevador para que ela entrasse.

Quando levantou o olhar e deparou-se com a figura no espelho, Lucinha não pode controlar o riso. Soltou uma deliciosa gargalhada lembrando-se do tombo e vendo os cabelos desgrenhados e a maquiagem borrada devido às lágrimas que lhe caíam dos olhos de tanto que ria. Entrou em casa ainda gargalhando quando se deparou com o marido com uma cara de bode que significava “Qual é a graça?”.

Cheia de bom humor, Lucinha então começou a narrar os acontecimentos, o motivo do atraso e, enquanto ambos riam juntos retirou da geladeira as coxinhas da asa – 12 - que havia temperado antes de sair com 3 dentes de alho bem amassados, 2 colheres de sopa daquela sopa de cebola de pacote, uma pitada de sal e molho de pimenta bem forte à gosto. Depois de 1 hora, acrescentou 1 latinha de cerveja e 4 fatias de gengibre e deixou marinando por mais 1 hora.

Retirou 1 latinha de cerveja na geladeira, pegou as canecas do freezer, serviu a cerveja e chamou o marido. Fizeram um brinde ao amor e Lucinha se pos a cozinhar as coxinhas. Aqueceu uma panela e colocou as coxinhas dentro. Sem óleo. Até dourarem. Nesse momento acrescentou o molho da marinada e tampou a panela por aproximadamente 15 minutos. Destapou a panela e de vez em quando mexia. Repetiu esse procedimento até que o molho reduzisse por completo.

Organizou a bandeja com um prato contendo as coxinhas, molho de mostarda e molho de queijo feito com 1/3 de triângulo de queijo gorgonzola e 3 colheres de creme de leite fresco. Amassou o queijo e misturou vigorosamente com o creme de leite. Para o molho de mostarda usou 2 colheres de sopa de mostarda, 2 colheres de sopa de creme de leite, suco de ½ limão e 1 pitada de pimenta do reino branca.

Aquela noite estava apimentadíssima, restava agora a ambos exercitarem a criatividade para deixá-la ainda mais deliciosa. Quando Renato experimentou a primeira coxinha, o sabor e a textura do frango podiam ser mensurados em sua feição. E aquele toque de pimenta então? Delicioso! Estava escrito na cara dele, literalmente! O prato foi aprovado e Lucinha restava feliz, conversando bobeiras com o marido e rindo infinitamente, cercada de beijos e regada a cervejinha bem gelada. A noite foi perfeita! 

domingo, 5 de junho de 2011

Ravioli ao molho de abóbora com gengibre e alecrim

- Então está combinando assim mesmo: você chega amanhã às 8:45h no aeroporto e vai ficar aqui em casa?
- Sim – disse a amiga.
- Ótimo, vou me organizar para te buscar e preparar um almoço digno desse tão aguardado reencontro. – Bradou Luisa demonstrando uma felicidade alegórica.
- Perfeito. Temos muito que conversar, isso pede um prato daqueles bem gostosos no qual possamos gastar horas. – Falou a amiga desenrolando uma deliciosa gargalhada que Luisa conhecia bem. – Um beijo e até amanhã.
- Outro. E boa viagem. Qualquer coisa liga tá? – disse já colocando o telefone na base.
Ao desligar o aparelho, Luisa começou a pensar no que poderia fazer para comemorar aquele momento.  Não era só uma ocasião especial, era um momento pelo qual ambas aguardavam há séculos. As amigas de infância separaram-se por um desejo do destino, ou do coração de Luisa quando optou por largar tudo e ir em busca do seu sonho dourado: conhecer outras culturas. Quando optou por ser cidadã do mundo sabia que demoraria para reencontrar as pessoas queridas novamente, mas seu coração estava gritando por aquele movimento, o que mais poderia ter feito?

Precisava de uma receita leve, pois sabia o quanto ambas comeriam naqueles dias. Também de preferência uma receita que não levasse carne, pois Amanda não era o mais carnívoro dos seres. Foi então que lembrou-se de uma receita que estava louca para testar havia meses: Ravioli de gorgonzola ao molho de abóbora com gengibre e alecrim. Sim, essa seria a receita ideal para aquele momento. Folheou o livro de receitas e foi anotando os ingredientes de que precisaria:

·         300g de ravióli de gorgonzola                                                        
·         250g de abóbora picada
·         1 caixinha de creme de leite
·         1 colher de gengibre ralado (fino)
·         1 ramo de alecrim (ou mais a gosto)
·         1 cebola pequena picada em cubos
·         1 colher de azeite de oliva
·         Sal e pimenta do reino moída na hora a gosto

1 garrafa de um bom vinho rosè para acompanhar. – Embora o vinho rosè não houvesse sido indicado por nenhum sommelier, Luisa e Amanda haviam conversado sobre ele no último encontro – que ocorrera uns 4 anos antes – e ambas concordaram em experimentar um rosè, juntas no próximo encontro: o atual.

Saiu em busca dos seus ingredientes. Encontrou praticamente tudo, menos o ravióli de gorgonzola. Procurou pela cidade inteira, em vão. Pensou em fazer a massa, mas ainda tinha que organizar a casa para receber a amiga. Não teria tempo. Então resolveu levar um de mussarela de búfala que a vendedora lhe estava ofertando naquele momento.

Chegou em casa e, servindo-se de uma taça de vinho tinto, repassou a receita. Ferva 2 litros de água com sal. Coloque os raviólis quando a água estiver fervendo e deixe por 8 minutos. Depois retire-os, lave-os com água fria e reserve.

Coloque a abóbora numa panela com água até cobri-las e deixe ferver. Quando a abóbora estiver macia, desligue o fogo e bata tudo no liquidificador até ficar bem batido, sem pedaços. 
Refogue a cebola no azeite. Quando começar a murchar acrescente o gengibre e mexa por uns 2 minutos.

Adicione o molho de abóbora, mexa e deixe ferver em fogo médio. Quando o molho começar a reduzir, baixe o fogo, adicione o alecrim, o creme de leite e acerte o sal e a pimenta. Coloque os raviólis no molho e mexa com cuidado para não quebrarem. Deixe no fogo baixo por alguns minutos até ficarem aquecidos. Sirva em seguida acompanhado de queijo ralado na hora.
Esse foi o da casa da Dri.
Ficou fantástico!

Sem dúvidas essa era a receita. Teria que conseguir esperar até o dia seguinte para preparar tudo, mas estava com coceira para começar naquele momento. Então, agarrou as chaves do carro e partiu em direção ao shopping: assistir a um cinema agora seria a melhor solução para fazê-la esquecer daquela receita por alguns instantes. O suficiente até a amiga chegar e elas poderem se deliciar com aquele manjar.

Obs.: Essa receita foi testada por mim e pela Dri (minha amiga de infância de tantas outras receitas), no mesmo dia do Tiramissu, e foi baseada numa receita de sopa oferecida pela minha amiga Aninha. Ficou simplesmente dos 'deuses'. Vale super a pena experimentar.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Tiramissu originalmente italiano

Vira e mexe Maria Rita lembrava-se daquele episódio estranho e, silenciosamente, agradecia a Deus por poder enxergar. Pegou o diário e abriu no dia 12/10/01, começou a ler: Naquele dia eu acordei e meus olhos não viam nada. Buscava, procurava, abria e fechava os olhos e, no entanto, nada via. O desespero foi tomando conta de mim e, aos poucos, uma espécie de dor foi me consumindo e queimando meu interior. Uma dor profunda por não poder ver as cores, as luzes, imaginando que não poderia ver mais os olhos e seus olhares, as atitudes. E a coisa que mais gostava de fazer, a alquimia dos alimentos, a mistura dos ingredientes nas panelas, nas bacias, aquela confusão gostosa e organizada que acontece na cozinha, estaria comprometida. Eu estava cega? Não! O que teria acontecido? Decidi ligar para o médico para investigar o que poderia ter acontecido, estava tudo normal quando fora dormir na noite anterior.

Cuidadosamente levantei-me e, tateando, dirigi-me ao banheiro. Fiz a higiene matinal e lavei os olhos vigorosamente, como na esperança de poder tirar o que estava me impedindo a visão. Sem resultado. Andando vagarosamente pela casa, alcancei o telefone, mas não conseguia lembrar-me do número do consultório. Peguei o celular e liguei para o marido: - Renato, não estou enxergando nada. Sua reunião acabou? Preciso que você me leve ao médico. Você pode vir agora? - Falava uma frase após a outra, sem pausas para respirar ou para deixar o marido falar. Renato saiu do escritório feito uma bala, dizendo que já estava a caminho de casa e pedindo para que eu me acalmasse.

Era sexta-feira e tinha me programado para fazer um Tiramissu com aquela receita originalmente italiana que trouxera de uma deliciosa visita a Roma. Quando provara o doce – não tão doce assim – pela primeira vez, senti-me no paraíso: a combinação perfeita de sabores e a textura leve resultantes daquela mixagem culinária, pareceram-me um pedacinho do céu.
Lembrava-me da receita fornecida por Mamma Giullia, dona da cantina à esquina da rua onde ficava o hotel em que me hospedara. Nem era casada ainda:
  • 2 gemas
  • 1 clara em neve
  • ¼ xícara de açúcar
  • 250g de queijo mascarpone
  • ½ pacote de biscoito champagne
  • café forte e frio para umedecer os biscoitos
  • 1 a 2 cálices de licor de amêndoas

Bata as gemas com o açúcar vigorosamente até formar um creme esbranquiçado. Acrescente o mascarpone e incorpore a clara. Se gostar do sabor do licor mais acentuado, misture metade do licor nesse creme. A outra metade misture ao café.

Para montar umedeça os biscoitos na mistura de café e licor e forre o fundo da forma. Cubra com metade do creme. Coloque outra camada de biscoitos e finalize com uma camada de creme. Leve à geladeira por aproximadamente 4 horas e, na hora de servir, polvilhe uma fina camada de cacau em pó peneirado.
  • Si te voglie fare um dolce per molta genti, duplica la ricetta! - Dissera Mamma Giullia com todo o corpo e um largo sorriso que ainda podia visualizar.

Da primeira vez em que testei essa receita, foi num almoço na casa da minha amiga Adriana. Fizemos um ravioli como prato principal e Tiramissu de sobremesa. Por não gostarmos muito de café, usamos um café fraco para não acentuar o sabor. Também por isso, substituímos os biscoitos champagne por biscoito maisena de chocolate. Ainda lembrava-me da sensação celestial que tivera ao provar o doce. Fora levada de volta à Roma através do paladar. Já na primeira colherada fora capaz de ver em cores toda a cantina da mamma e aquele burburinho italiano do qual fizera parte por 7 prazerosos dias.

Quando Renato chegou em casa, encontrou-me dormindo no sofá repetindo: -”Tiramissu. Tiramissu. Preciso enxergar o Tiramissu”. Renato achou graça e com uma vigorosa gargalhada e um beijo na testa despertou-me de meus doces sonhos. Ao abrir os olhos e ver Renato parado e rindo a minha frente, não consegui entender nada. Será que havia mesmo acordado sem enxergar? Ou simplesmente estava delirando e tudo não passou de um sonho? Não sabia. O que sabia era que naquele momento faria o Tiramissu para sobremesa do jantar e se deliciaria não só com o sabor, mas principalmente com a bênção maravilhosa de poder enxergar. Agradeci a Deus pela sua saúde perfeita. Beijei meu marido carinhosamente e corriu até a cozinha para colocar as mãos na massa. Aquela noite tinha um sabor visivelmente diferente das outras.

Obs.: Fizemos esse tiramissu na casa da Dri (aquela minha amiga de infância) e foi um sucesso. Nas outras receitas que pesquisamos, as pessoas usam qualquer tipo de bebida alcoólica desde uísque até cachaça, usamos o licor de amêndoas porque queríamos a receita original, e faz diferença. Vimos várias receitas informando que o queijo mascarpone pode ser substituído por cream cheese e creme de leite fresco, pois o verdadeiro mascarpone custa muito caro. Mas já havíamos substituído os biscoitos e enfraquecido o café, optamos por usar o verdadeiro queijo e o licor de amêndoas para não nos distanciar muito da receita original.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Talharim aos queijos

Chegou em casa depois da aula às 12:30h. Abriu a geladeira e deparou-se com a realidade dos solteiros que ‘optam’ por morar sozinhos: um vazio só. Não tinha nada naquela geladeira! Resolveu usar a criatividade e ver no que ia dar.

Precisava de uma receita prática que não usasse ingrediente algum e resultasse num prato deliciosamente saboroso e matar sua vontade de comer “uma coisa”. Era assim que dizia quando tinha vontade de comer algo muito gostoso, mas não sabia exatamente o que. E era isso o que desejava naquele momento: algo delicioso!

Foi fuçando as prateleiras e conseguiu levantar os seguintes ingredientes: 200g de talharim fresco – só que estava congelado; ½ triângulo de queijo gorgonzola que sobrou da noite de queijos e vinhos que preparou para o namorado; +- 50g de queijo parmesão que tinha ralado para o risoto que fez para a mãe; 2 colheres de creme de leite fresco – que a essa altura do campeonato de fresco não tinha mais nada, pois estava na geladeira há mais ou menos uma semana; castanhas de caju; 1 garrafa de vinho tinto seco carmenere que estava gelando há dias (isso combinava? Ah, teria de combinar).

Colocou a água para ferver e adicionou sal. Não gostava de colocar um fio de óleo na água do macarrão desde que havia lido não se lembrava onde havia lido que o óleo não permite que o molho se incorpore muito bem à massa.

O interfone tocou. Como assim o interfone tocou? Não estava esperando ninguém! E tinha planos para aquela tarde, havia planejado tudo meticulosamente: depois do almoço lavaria as louças, organizaria a casa e se deitaria para ler um bom livro e tirar aquele cochilo. Estava planejando isso há dias! Ficou na dúvida se deveria ou não atender, mas acabou sucumbindo ao toque irritante daquela campainha. Quem poderia ser?
  • Oi.
  • Oiê! tudo bem?
  • Quem é?
  • Sou eu, Luís, oras quem é?!
  • Que Luís?
  • Ê, vai começar de brincadeira é?
  • Olha Luís, sinceramente eu acho que você tocou na casa errada. Eu não conheço nenhum Luís.
  • Mas aí não é a casa da Graça?
  • Não, Luís, aqui não é a casa da Graça.
  • Mas não é do 803?
  • Não, é do 703!
  • Ah tá, desculpa!
  • Tudo bem.

Quando voltou-se ao fogão, a água já estava fervendo. Colocou a massa - apenas metade do pacote, poderia precisar de uma outra vez – e marcou 8 minutos no temporizador. Acabado o tempo, retirou a massa, lavou em água fria e começou a fazer o molho. Derreteu uma colher de sopa de manteiga e passou o talharim. Adicionou metade do queijo gorgonzola e quando este começou a derreter juntou o creme de leite fresco. Acrescentou metade do parmesão e desligou o fogo. Nesse momento colocou as castanhas de caju picadas grosseiramente.

Colheu algumas folhas de manjericão do pé que mantinha na varanda, serviu uma taça do vinho tinto que estava na geladeira. Sentou-se em frente à TV e, como não tinha nada que prestasse passando, ligou o DVD e colocou Sem Reservas para ver de novo.

Deu a primeira garfada no talharim e o primeiro pensamento que lhe veio à cabeça foi: Como podia ficar tão boa uma massa quase sem ingredientes? Sinceramente, não faltava nada. Ao terminar de comer, deitou-se no sofá onde adormeceu pelo resto da tarde deixando as louças, a casa e o bom livro para um outro momento. Um momento em que não estivesse curtindo um cochilo tão gostoso.