quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Bolo de Grude da Lu




Assim que chegávamos à casa da Luzia, eu e a Su já íamos gritando do portão: Luuuuuuuuuuuuuu! E era aquela algazarra: abraços e beijos e todo mundo falando ao mesmo tempo. Uma confusão que só a gente entendia! Uma delícia de bagunça armada no bairro José Valter em Fortaleza, onde a Lu morava na época.

Numa das primeiras vezes em que fui à casa da Lu, quando chegamos ela já foi logo dizendo: chegaram na hora certa, acabei de fazer um bolo.
Ao que eu fui logo respondendo: não sou muito fã de bolo Lu!
E ela prontamente replicou: acho que desse você vai virar fã porque ele é diferente. É um bolo salgado.
Salgado?! perguntei - Ah, então é capaz de eu gostar mesmo.

A Luzia estava certíssima, não só gostei como me apaixonei. Devo ter comido umas 4 fatias! O bolo é realmente delicioso. Virei totalmente fã. Assim como a Cri, que também apaixonou no bolo da Lu. E eu e a Cri, o apelidamos de Bolo de Grude da Lu.

A Su foi embora para a Paraíba, e eu para Brasília. Quando vim embora de Fortaleza, a Lu me deu a receita e me ensinou a fazer o bolo de grude. É super fácil:

400g de queijo (a Luzia usa o coalho, mas já fiz com mozzarela)
3 ovos
¼ de xícara de óleo
1 copo e um pouco de leite
3 xícaras de polvilho azedo
 Sal à gosto


Bate tudo no liquidificador exceto o polvilho que deve ser misturado à massa depois de batida. Coloca em forma untada com óleo e assa em forno pré-aquecido a 200º por 30 minutos ou até o garfo sair limpo. Pronto!

O povo que gosta de café, diz que esse bolo é um ótimo acompanhante para o 'pretinho'. Eu, como não gosto como é puro mesmo, com refrigerante, suco, achocolatado... Pra mim, a estrela do lanche é o Bolo de Grude da Lu! Normalmente, os outros bolos de queijo - como são chamados - têm uma consistência meio de pão de queijo, um pouco seca. O da Lu não, o da Lu tem uma consistência 'puxenta', 'liguenta' mesmo. É um autêntico bolo de grude. Sem tirar o mérito das pessoas que fazem e gostam do bolo de queijo, eu prefiro o 'grudento', do jeito que a Lu me apresentou.

Então, todas as vezes em que vou a Fortaleza, a primeira coisa que peço para a Cri é avisar a Luzia que estou chegando e quero bolo de grude. Ela sempre faz o bolo e parece que está cada dia melhor. Já fiz algumas vezes aqui em Brasília, mas o dela parece que tem alguma coisa a mais. Acredito que seja o tempero, normalmente ela tempera com muito amor e, depois que eu vim embora, acho que ela coloca saudade em abundância.

Dessa vez que vim a Fortaleza por um mês, não foi diferente, a Luzia fez um bolo e chamou a gente – eu, Cri, Rê, Ráquel e Marilza - para ir lanchar na casa dela. Gente, pode parecer impossível, mas acho que foi o bolo mais gostoso que ela já fez. E todo mundo concordou.

Ainda hoje, quando nos falamos ao telefone, grito num tom incomparável: Luuuuuuuuu! E parece que esse grito acende um pavio que queima incessante do outro lado quando ela grita: Ciiiiiiinthia!

Eita, saudade é uma coisa louca mesmo né? A gente revê as pessoas várias vezes, fala ao telefone, mas dentro do coração fica aquele gostinho de quero mais. Saudade de fazer as coisas junto, da companhia, de sair, de ficar em casa sem fazer nada, só na companhia das pessoas queridas. É realmente um dos melhores temperos da vida!
Eu e a Lu


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Pavê Trufado e Memórias


"Quando Deus trabalha, a obra é perfeita!". Ouvi essa frase inúmeras vezes na minha vida, mas nesse mês de outubro, Deus resolveu me presentear e desde o início pude vivenciar essa frase nos meus dias. Exatos 10 anos depois de ter pisado em Fortaleza pela primeira vez, fui enviada para lá novamente. Desta vez para passar um mês, a trabalho.

Fiquei muito feliz e empolgada com a oportunidade. Eu precisava desse momento: precisava rever as pessoas, matar as saudades, me sentir em Fortaleza novamente não como uma mera turista, mas como alguém que já viveu nessa terra e deixou história e saudades. Claro que a primeira coisa que fiz quando cheguei foi ir à praia, como não podia deixar de ser. E matar saudades da gastronomia local - comi caranguejo, camarão, lagosta, tapioca. De tudo um pouco – também foi imprescindível. A experiência estava sendo deliciosa.
O impagável foi poder rever várias pessoas queridas que deixei no Ceará. As que foram na mesma época que eu e as que conheci pelo caminho. Pessoas lindas, de coração delícia que me receberam e me abrigaram tão bem quando morei nessa terra de calor intenso. Pessoas que participaram de momentos bons e ruins, que compartilharam alegrias e tristezas, que viveram um pouquinho da vida comigo.
Uma outra chance fantástica para mim foi comemorar não só o meu aniversário na cidade, mas estar presente na comemoração de um querido colega de trabalho o Márcio. Conhecemos-nos logo no início do treinamento, ainda em Brasília. A confraternização serviria ainda para matar saudades das pessoas que ainda não tinha visto.
Cada um levava uma coisa: pão, queijo, presunto, bolo, suco, e por aí vai. Eu me ofereci para levar um pavê trufado. Sobremesa deliciosamente simples e gostosa que aprendi num desses meus encontros gastronômicos. Foi sucesso geral: todo mundo adorou! E eu que já estava feliz por demais por estar rodeada de tantas pessoas queridas, fiquei a ponto de explodir de satisfação. Afinal de contas, tem satisfação maior quando você faz uma receita e todo mundo gosta?
O Pavê é ridiculamente fácil e não há uma só vez em que você o faça e não receba elogios. Anote a receita aí:
1 barra de 180g de chocolate meio amargo
1 barra de 180g de chocolate branco
2 caixinhas de creme de leite
6 colheres de bebida alcoólica clara – rum, conhaque, vinho branco, whisky (até cachaça eu já usei)
1 caixa de biscoitos champanhe
Leite para molhar os biscoitos
Molhe uma forma para bolo inglês e forre com filme plástico. (facilita para retirar)
Derreta o chocolate no microondas por 1 minuto. Retire do micro, mexa para ficar homogêneo e acrescente 1 caixa de creme de leite. Acrescente 2 colheres da bebida escolhida e deixe incorporar bem. Despeje a mistura na forma já forrada.
Umedeça os biscoitos champanhe numa mistura de leite e 2 colheres da bebida escolhida. Não pode deixar de molho, tem que umedecer rapidamente para os biscoitos não perderem a firmeza. E cubra o chocolate que já está na forma.
Repita o processo com o outro chocolate e despeje por cima dos biscoitos da forma. As duas trufas de chocolate não se misturam.
Repita o processo dos biscoitos e coloque por cima da segunda camada de chocolate. Leve ao congelador até ficar firme. Aproximadamente 4 horas.
Você pode escolher qual o chocolate quer que fique por cima. O que você colocar no fundo da forma, é o que ficará por cima. Dessa vez escolhi o amargo. Essa sobremesa tem a textura bem macia e a mistura de sabores perfeita. Teste. Garanto que você e seus convidados vão adorar!
Para desenformar, retire do congelador uma meia hora antes de servir (pode deixar na geladeira ou fora dela se não estiver muito calor), molhe a forma do lado de fora. Puxe o filme plástico em toda a extensão da forma até sentir soltar. Depois coloque uma travessa por cima e vire o pavê. Caso ele não saia da forma imediatamente, bata levemente no fundo da forma. Retire o filme plástico e sirva!

Eita que matar saudades é bom, mas matar saudades comendo Pavê Trufado é incomparável!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Bruschettas com Vinho na Varanda


Pelo fato de ter morado algum tempo em Fortaleza, trago comigo várias histórias interessantes de lá. Essa é mais uma. No meu último ano lá, morei num condomínio fechado que tinha 20 casas. A minha era em cima. A dona Gorete (carinhosamente apelidada por mim de dona Gogó) morava lá com seus 3 filhos Varna, Sedna e Naiche (valha, e não tinha nomes mais diferentes para batizar esses meninos não?)  e sua Neta Paula (Ufa, ainda bem que a mãe não resolveu aderir, vai saber o que poderia surgir!). Todos esses nomes diferentes têm o seu significado, depois eu descobri!

Eu adorava o condomínio, e essa família tem uma conexão especial com a minha vida. Uma energia diferente, boa. Eu sempre gostei demais de estar com eles. Dona Gogó foi quem me lembrou esses dias que, quando eu fazia viagens de final de semana para Brasília ou para São Luís ou seja lá para onde fosse, que eu chegava de madrugadinha na segunda-feira, por volta das 5h ou 6h da manhã, acabava perturbando a pobre, porque tinha deixado minha chave não sei com quem ou não a encontrava na mala e precisava entrar para me organizar para o trabalho. Uma mãe a dona Gogó! Nenhum de nós mora no condomínio atualmente, dona Gogó, assim como eu, saiu de Fortaleza e está agora em Campina Grande. Ainda vou visitá-la! Nunca fui à Campina Grande.

Eu, Varna e Naiche vez por outra nos reuníamos na varanda de uma das casas e ficávamos tomando vinho e falando besteira. Sempre com alguma coisa para beliscar: queijo, amendoim, salgadinhos... Fosse o que fosse, o importante era a gente se reunir na varanda para 'tomar a fresca' e jogar conversa fora. Ali ficávamos até altas horas. Era uma delícia de programa.

Vinho ainda é minha bebida favorita! E, devo reforçar que, tomar vinho em Brasília é mais agradável do que em Fortaleza porque não é tão quente, o clima favorece o consumo da bebida. Então, de vez em quando, para matar as saudades tomo vinho na varanda. A diferença é que naqueles tempos tomávamos vinho na varanda do térreo, agora é no 14º andar. É preciso tomar muito cuidado com os efeitos que esse líquido vai causar! kkkkkkkkkkkkkkk e agora não tem mais Varna, não tem Naiche. Mas sempre têm outras pessoas muito especiais e as histórias são diferentes, mas o prazer é semelhante.

Para acompanhar o néctar gosto muito de fazer bruschettas. Elas são rápidas, fáceis e normalmente podemos usar a imaginação no uso dos ingredientes. Uma que adoro leva um tomate e uma cebola médios, picados em cubos pequenos, queijo parmesão ou gorgonzola (depende do sabor que você deseja alcançar), alcaparras ou azeitonas picadas, azeite, sal e pão. Normalmente o pão italiano cortado em fatias é melhor, para preservar a originalidade da receita, mas quando não tem eu uso o que tiver. Até pão de forma integral já entrou na dança e, sinceramente, ficou bom demais!

Mistura-se todos os ingredientes e coloca-se por cima do pão torrado levemente no forno com azeite. No final gosto de acrescentar uma ervinha tipo alecrim ou manjericão fresco para compor o sabor. Você pode misturar o queijo aos ingredientes ou colocá-lo no pão antes de torrar para que ele derreta. Ambas as opções são boas. Diferentes, mas boas.

Ou então você pode verificar a receita de Antepasto de Pimentões que tem aqui no blog para fazer uma Bruschetta de pimentões. É só utilizar pimentões variados. Eu fiz um antepasto com pimentões vermelhos e amarelos seguindo a mesma receita. Depois coloquei o antepasto por cima do pão torrado. Ficou simplesmente perfeito! Acho que foi uma das mais gostosas bruschettas que já provei – a modéstia é algo que me acompanha!

Aí, é só sentar na varanda, agarrar a taça de vinho e continuar a conversa agradável. Bon apetit!

Esse programa é tão agradável que já fiz ele sentada na varanda com Deus. Na verdade Ele sempre esteve presente. Mas já fizemos isso juntos, só nós dois, observando a lua, as estrelas, pensando na vida e conversando – e devo acrescentar é um programa fantástico.


Eita, matar saudades é bom demais! 

obs.: vou ficar devendo fotos da Varna, Naiche, Dona Gogó... não tenho nenhuma para postar agora. 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Bacalhau de resoluções


Flávia não sabia o que fazer. A ansiedade estava consumindo-a por completo. Gostaria de saber o que fazer com sua vida. Que caminho tomar, por onde seguir. Resolveu tomar uma atitude: fez um check list das coisas a fazer, revisou sua vida umas 30 vezes, repassou seus erros e acertos outras 70 vezes e ainda assim não conseguia se encontrar.  Estava totalmente perdida. Resolveu então fazer a única coisa que lhe acalmava: cozinhar!

Lembrou-se do bacalhau em lascas que havia deixado de molho na geladeira no dia anterior. Retirou o peixe da geladeira - eram mais ou menos uns 500g - pegou também 2 cebolas médias, 6 batatas médias, páprica doce, alecrim, vinagre branco, sal, alho e pimenta do reino a gosto. Azeite, muito azeite.
Ligou para a mãe e para Bruno convidando-os para o almoço e separou duas garrafas de um belo vinho tinto da geladeira, para a adega.

Secou as lascas de bacalhau e passou-as por um pouco de farinha de trigo, depois fritou-as em pouco azeite por aproximadamente 5 minutos, até ficarem douradas. Reservou. Depois, na mesma panela fritou as cebolas, quando elas murcharam acrescentou 2 colheres de sopa de vinagre e páprica a gosto até dourarem. Reservou.

Furou as batatas com um garfo e colocou no microondas por 8 minutos em potência alta. Quando estavam macias, cortou-as em rodelas e - na mesma panela onde tinha fritado o bacalhau e as cebolas - fritou as batatas em azeite e acrescentou o alecrim. Acertou o sal e juntou o bacalhau e as cebolas. Mexeu para incorporar todos os ingredientes e desligou. Serviu numa travessa.  

Enquanto aguardava seus convidados, abriu uma das garrafas de vinho e serviu-se de uma taça. Estava no ponto. Sentou-se no sofá e pôs-se a pensar na vida: todos os lugares pelos quais sonhou passar, as delícias que gostaria de experimentar, as possíveis pessoas que conheceria... Diferentes culturas, belas paisagens. Era tanta coisa nesse sonho que não cabia em seus pensamentos. Pegou o caderno que havia comprado para esse fim e começou a escrever sobre seus sonhos e desejos.

Estava tão perdida em seus pensamentos que nem ouviu a campainha soar. Só se deu conta quando os telefones começaram a tocar juntamente com a campainha e o interfone numa sinfonia absurdamente incômoda. Olhou para o relógio e entendeu que mais uma vez havia se perdido naquele mundo de desejos. Um dia, um dia entenderia porque tanto amor pelo mundo sem ao menos conhecê-lo.

Abriu a porta, atendeu ao interfone e ao telefone ao mesmo tempo. Era hábil para fazer várias coisas ao mesmo tempo. Dona Cilene entrou primeiro, pois Bruno havia descido para tocar o interfone. Ficaram conversando até que ele subisse. Serviu vinho aos convidados e, após alguns minutos, serviu o bacalhau que estava sinceramente saboroso. A combinação dos temperos acentuaram o sabor do peixe, a textura do bacalhau estava ótima e aquelas cebolas eram uma coisa sem comparação. A perfeição do sabor pode ser vista no rosto dos seus convidados. Serviu com arroz integral e uma salada de alface americana, tomates cerejas, manjericão fresco e queijo minas temperada com limão, azeite e sal.

Elogios não faltaram aquele prato. Mais uma vez Flávia sentiu-se imersa num mundo que amava: o mundo dos sabores, texturas e temperos.

É, estava decidido: iria traçar metas e escolher seu objetivo, não podia continuar vivendo dessa forma – insatisfeita com seu emprego, com sua vida, com a não realização de seu grande sonho. Era imprescindível que esse período de aprimoramento acontecesse, e ela sentia em seu coração que isso era apenas o começo de uma nova fase.

domingo, 11 de setembro de 2011

O Tempero da Vida - Almôndegas diferentes




Alissa sempre gostou tanto de receitas que prestava atenção em qualquer lugar: filmes, revistas, conversas alheias (é sério! Sabia que era feio prestar atenção nas conversas alheias, mas isso já rendeu algumas boas receitas). Era assim: onde havia uma receita, estava de antena ligada.

Uma vez uma amiga de infância indicou um filme – a vida pra ela era assim: além de viajar e experimentar novas receitas adorava um cinema – ela disse que tinha visto e achou a cara de Alissa. Teve que ir conferir.

O nome do filme (que existe mesmo) é O Tempero da Vida e se passa parte em Istambul e parte em Atenas, na Grécia. O avô do protagonista tem uma loja de temperos, e ele faz uma metáfora usando os temperos para ensinar astronomia, geografia e coisas da vida ao protagonista quando criança.

Enfim, Alissa gostou muito do filme, a história era boa, as metáforas interessantes e como complemento a boa música e as poucas paisagens mediterrâneas. Mas é claro que o que chamou a atenção foi a receita de Almôndegas que o avô ensina: carne moída, miolo de pão, alho, sal e pimenta a gosto e, canela em pó – é isso mesmo, canela em pó para temperar carne! - Tempera a carne com todos os temperos e o miolo do pão, amassa bem e depois faz as almôndegas. Frita em óleo bem quente.

Ali, o Sr. Vassilis - avô do menino - ensina que se usa a canela em lugar do cominho por ser este muito forte e deixar as pessoas introspectivas. Já aquela é ao mesmo tempo doce e amarga – como todas as mulheres – e faz com que as pessoas olhem nos olhos umas das outras. A mulher que está aprendendo o truque vai cozinhar para a família do pretendente e o Sr. Vassilis diz que, se ela pretende dizer ‘sim’ em resposta ao pedido de casamento deve usar a canela.

Óbvio que depois do filme essa receita foi testada em casa com um molho com tomates frescos batidos no liquidificador, cebolas em cubos bem pequenos refogada em azeite, sal a gosto e uma pitada de açúcar para quebrar a acidez do tomate. Como toque final, uma pitada de canela em pó também no molho. Para as almôndegas usou 500g de carne moída, miolo de 1 pão (ou 1 colher de sopa de farinha de rosca/trigo), 1 colher de sopa de alho amassado, sal e pimenta do reino a gosto e 1 colher de sopa de canela. 


Ao degustar essas almôndegas, ficou constatado que realmente a canela dá um toque especial à receita, e os simples bolinhos de carne passam a ter um sabor fora do convencional. Alissa usou também farinha de rosca ou de trigo quando não tinha o miolo de pão, e a receita ficou muito boa. É apenas uma colher de sopa para 300g de carne, 

Com o passar dos tempos Alissa experimentou receitas com canela em outros pratos e não é que a coisa funciona?! Há que se ter em mente que uma pitada é uma pequena porção e não uma colher de sopa cheia! Mas essa coisa de usar o tempero errado para provar um ponto de vista pode nos levar a lugares antes inimagináveis.

A Grécia era um lugar ainda não explorado por Alissa, Istambul tampouco. Somente através de filmes e livros. Tinho vontade de conhecer ambos os lugares pela culinária exótica, pela diversidade cultural, pela diferença que há intrínseca nas vidas dos habitantes desses lugares. Enquanto não podia estar lá de corpo presente, fechava os olhos enquanto degustava as receitas imaginando-se nesses lugares mediterrâneos...  E meditava na diversidade de temperos para cada vida. E para você, qual o tempero da vida?

Obs.: Quem me falou desse filme foi a Dri (aquela minha amiga de infância que insiste em estar bem presente na minha vida, graças a Deus) e o filme é O Tempero da Vida, vale a pena locar. 

domingo, 28 de agosto de 2011

Cassata de Morango em ritmo de férias

Aos meus leitores mil e uma desculpas pelo silêncio tão prolongado. É que estou de férias e nessa situação esqueço a existência de celular, internet e coisas do tipo. Não gosto nem de dirigir, prefiro esquecer de tudo o que faz parte da minha rotina e me entregar de corpo e alma à experiência escolhida. 

E assim eu fiz, tendo voltado de viagem na quinta-feira passada (25/08) ainda encontro-me em ritmo de férias e como tal escolhi uma receita bem gostosa, simples, prática e perfeita para dias quentes como esses de agosto aqui na capital federal. 

Conheci a Cassata de Morango na pré adolescência, na casa de um amigo. Você vai precisar de uma caixinha de morangos lavados e sem o cabo, um pacote de suspiros quanto menores melhores e um pote de chantily (se preferir pode fazer o chantily você mesmo, eu prefiro comprar porque facilita em muito a receita). Corte os morangos em metades, misture com os suspiros e cubra com o chantily. Pronto! Essa receita tão prática fica deliciosa, a combinação perfeita dos ingredientes permitem uma experiência saborosa, ainda mais quando você está em boa companhia. 

Sobre minhas experiências de férias, falarei no próximo texto. É que vou precisar de tempo para elaborar os textos com carinho e do jeitinho que você gosta de ler. Também terei que organizar as fotos e os roteiros, afinal de contas preciso deixar tudo bem mastigadinho para que meus queridos leitores encontrem dicas úteis para suas próximas viagens. Assim, aguço sua curiosidade enquanto preparo os textos e, é claro, as novas receitas desse segundo semestre. 

Esse texto está curtinho eu sei, mas é que ainda estou em ritmo de férias... prometo que os próximos textos virão recheados como de costume. 
um beijo grande
Cin

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Salada de férias

A apenas um dia da viagem de férias, Alana ainda estava anestesiada. Aquela viagem com que passara a vida sonhando surgiu como um presente: inesperada e inacreditável. Da maneira como tudo aconteceu, poderia não ser real, mas era.

Suas férias só foram confirmadas uma semana antes da data marcada, portanto não havia planejado uma viagem. Logo ela que sempre planejava suas viagens com meses de antecedência. Dessa vez, estava nas mãos do destino, e o destino fora muito benevolente com ela: na última hora, quando estava quase decidida a mais uma vez ir a Fortaleza visitar os amigos e matar saudades, surgiu uma vaga na excursão que sua mãe faria para a Europa.

Os valores super convidativos, a oportunidade de conhecer o velho continente, o convite feito por sua mãe, a possibilidade de utilizar sua dupla cidadania, tudo contribuiu imensamente para que ela se decidisse sem muito pensar. E esse tipo de decisão precisa ser pensado? Essas coisas merecem total impulsividade, foi o que pensou quando tomou a decisão. Logo depois um turbilhão de acontecimentos teve início – tinha pouquíssimo tempo, assim começou a organizar as coisas: mala, seguro saúde, passaporte e uma infinidade de coisas necessárias para a realização desse sonho se concretizar.

E ali estava ela – limpando a geladeira! - A viagem de sua vida ocorreria no dia seguinte e Alana não conseguia se concentrar. Resolveu fazer outras coisas, do tipo que já devia ter feito há tempos. Jogou fora um tanto de coisas esquisitas que estavam no refrigerador: aquelas coisas que você vai guardando porque pode usar depois e acaba não aproveitando, que se transformam em objetos não identificados. Após  a limpeza, a geladeira estava praticamente vazia porque próximo ao início das férias Alana não fazia compras.

Quando a fome bateu trouxe junto uma dúvida do que poderia comer se não tinha praticamente nada em casa. Decidiu ir tirando as coisas da geladeira para verificar o que poderia ser feito:

Um restinho de alface americana
Uma caixinha de tomates sweet grape
4 fatias de salaminho
4 fatias de presunto tipo copa
2 fatias de blanquet de peru
1 fatia de peito de peru defumado
Um pedacinho de queijo gorgonzola
Um pedacinho de queijo gouda – esses frios haviam sobrado da noite de vinhos que Téo preparara há uma semana.
6 morangos
2 colheres de sopa de abacate
Uma porção de batata palha
Molho César light para saladas
Folhas de manjericão da mini horta da varanda

Não havia o que decidir, faria uma verdadeira salada. Delicadamente Alana lavou a alface, os tomates e as frutas. Picou todos os ingredientes e ralou os queijos. Misturou tudo numa tigela de vidro e temperou com manjericão, azeite e limão. Adicionou o molho e misturou até incorporar. Deixou gelar por uns 20 minutos, acrescentou a batata palha e depois se serviu.

Para sua surpresa a salada estava deliciosa. A mistura de sabores ficou perfeitamente leve e refrescante, própria para o ‘calor do agreste’ que fazia em Brasília naquele momento. Enquanto degustava sua mais nova criação gastronômica, sonhava com os destinos que visitaria em breve imaginando quais seriam os novos sabores que descobriria. Que novidades a esperavam? O que lhe reservava o destino a partir de agora? Teria tempo de postar receitas em seu blog?

Na verdade Alana estava tão ansiosa pelo que o futuro próximo lhe reservava que sinceramente não tinha respostas para suas próprias perguntas, mas não estava preocupada. Eram apenas considerações. Naquele momento, decidiu que tentaria postar novidades para seus leitores no blog, sabia, porém, que seria perdoada caso não conseguisse postar nada, afinal de contas todo mundo precisa de férias. E seus leitores entenderiam sua necessidade de dedicar-se de corpo e alma àquela experiência. E, ao deliciar-se com a última garfada de sua salada de férias, vislumbrou o delicioso período de trinta dias perfeitamente iniciado e perdeu-se em pensamentos e sonhos. 

terça-feira, 26 de julho de 2011

Um Jantar Caribenho ou seria Mexicano?


Um silêncio constrangedor pairava no corredor quando Arlete chegou em casa. Normalmente, ao sair do elevador, já ouvia a confusão das crianças correndo pelo apartamento e gritando uma com a outra. Aquela bagunça enchia a casa de alegria! Mas as crianças estavam de férias, viajando com a avó para o Rio de Janeiro. Restava no apartamento apenas Arlete, Getúlio e um silêncio arrasador.

Arlete foi andando devagar, tentando acostumar-se com aquela ausência de barulho. Colocou a chave na fechadura e, vagarosamente, abriu a porta. A mesa já estava posta e sobre a toalha branca havia uma vasilha com guacamole, uma com sour cream e outra com doritos. Duas taças contendo uma bebida verde clara com uma espuma branca por cima: só podia ser Pisco Sour. Seus olhos brilharam de desejo...

Getúlio havia preparado uma noite caribenha para curtirem aquela noite. Havia pego o livro de receitas da esposa e preparado tudo.
Para o Pisco Sour usou:
2 doses de pisco
3 doses de sumo de limão
1 colher de sopa de açúcar
1/4 de clara de ovo
Gelo a gosto

Porém, como não sabia o que fazer para separar 1/4 de clara, resolveu fazer 4 receitas, usando assim 1 clara inteira. Bateu tudo no liquidificador e serviu pouco antes de Arlete chegar. Aquela noite prometia...

Para a Guacamole usou:
1 abacate médio maduro
1 tomate maduro em cubos
1 cebola média em cubos
sumo de 1 limão pequeno
sal
pimenta
1 dente de alho amassado

Misturou todos os ingredientes e pronto.

O sour cream deu um pouquinho mais de trabalho:
a primeira receita era mais difícil pra ele primeiro porque não tinha batedeira e depois porque tinha que saber o ponto certo. No mais, não tinha a menor ideia da existência de um creme de leite que fosse fresco. Para essa receita, devia misturar 250 ml de creme de leite fresco (porque não tem soro) e o sumo de 1 limão, batendo até obter o ponto de iogurte, menos cremoso que o chantilly. depois devia acrescentar o sal, e a pimetna do reino. E então levar à geladeira até atingir um ponto cremoso.

Quando estava por desistir do sour cream, encontrou outra receita, que lhe pareceu um pouco menos complicada. Teve que misturar:
1 pote de iogurte natural (usou desnatado porque a esposa preferia)
1 caixinha de creme de leite (sem frescura)
sumo de 1 limão

Depois que o creme estava homogêneo colocou na geladeira e, ao servir, misturou mais um pouco.

Ao ver o rosto de Arlete se iluminando ao entrar em casa, Getúlio não teve dúvidas de que a ideia havia sido boa. Era impagável ver o lindo rosto de Arlete se iluminando aos poucos e abrindo aquele sorriso delicioso que ele tanto amava, num singelo: obrigada pela surpresa!
Sempre que Arlete preparava essas receitas, cortava massa de pastel em formas triangulares e fritava-as para usar como nachos, mas achou tão linda a atitude do marido que não se importou em comer doritos.

Getúlio não era assim o "ás" da criatividade, mas de vez em quando gostava de agradar Arlete que sempre ficava feliz com as pequenas atitudes, e daquela vez não foi diferente. O Pisco sour e a pimenta da guacamole contribuíram para quebrar aquele silêncio que fez Arlete temer ao chegar em casa, e ambos protagonizaram cenas de ação e barulho sem sentir falta das crianças.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Uma surpresa para Mariana: Bolo de Chocolate com Coco

'G' estava super empolgada com aquela nova 'empreitada' a que tinha se disposto. Ela e Mariana eram amigas desde os 4 anos, na Escolinha da Tia Nair. Lembrava-se muito bem de como tornaram-se amigas. No primeiro dia de aula todas as crianças começaram a rir quando a professora a apresentou e disse seu nome pedindo às crianças para serem legais com ela e levarem-na para conhecer a escola. Todo mundo riu muito e ficou fazendo piadinha. Mariana, ao contrário, levantou-se, pegou sua mão e sorrindo carinhosamente disse:
- Oi G, eu sou a Mariana e acho que vamos ser grandes amigas! Vem comigo, vou te mostrar a escola. Não liga pra eles não, eles são todos uns bobões! - E desde então nunca mais se separaram. Quando se formaram na alfabetização e foram para o Ensino Fundamental, fizeram questão de ir para a mesma escola e ficaram na mesma turma.

Hoje era o aniversário de Mariana. 12 anos. Já eram amigas há 8 anos! Muita coisa legal tinha acontecido nesses anos. Tinham aprendido muita coisa juntas. Então G, que já tinha permissão da mãe para fazer receitas simples, teve a ideia de fazer uma surpresa para sua melhor amiga: escolheu um delicioso bolo de chocolate com coco. Entrou na cozinha decidida e começou a separar os ingredientes:

1 lata de leite condensado
1 lata de leite
6 ovos
200g de chocolate em pó ou 250g de nescau (usou o chocolate porque Mari preferia chocolate mais forte e menos doce)
1 pacote de coco ralado

Depois pegou o liquidificador, colocou todos os ingredientes dentro e bateu até misturar tudo. G achou estranho porque a massa não levava farinha, nem manteiga, nem fermento, mas estava desse jeito no livro de receitas da mãe então seguiu tudo a risca. Também estranhou a massa do bolo ser tão líquida, parecia mesmo um chocolate batido, mas enfim, estava escrito assim. Untou uma forma de bolo inglês com manteiga (uma camada bem fininha) e despejou toda a massa dentro. Para testar o sabor untou também duas forminhas de petit gateaut e colocou um pouco da massa ali.

Havia ligado o forno elétrico a 200º para pré aquecer, conforme dizia a receita, antes de começar a separar os ingredientes. Então colocou a forma e as forminhas no forno e marcou 45 minutos no cronômetro da mãe.

Enquanto isso, misturou 1/2 lata de leite condensado, 2 colheres de chocolate em pó e 1 colher de manteiga. Colocou tudo no microondas por 4 minutos. Depois que esfriou juntou um pouco de creme de leite para ficar mais mole, como um brigadeiro mole.

Aos 30 minutos tirou os bolinhos do forno, cobriu com a calda de brigadeiro e polvilhou um pouco de coco ralado por cima, levou à geladeira. Quando soou o alarme, espetou um palito de dentes no bolo e, como saiu limpo, desligou o forno. Colocou a cobertura por cima, polvilhando com um pouco de coco ralado. Deixou esfriando sobre a pia e foi chamar a mãe para experimentar o bolinho com ela.

Sentaram-se na sala e a mãe realmente gostou daquela experiência culinária, enchendo a filha de elogios. G ficou toda cheia de si. Mas essa sensação não durou muito tempo. Quando sua mãe entrou na cozinha e viu a cozinha toda suja, gritou muito aborrecida: GETINAAAAALIAAAAA! Vem aqui agora!

G – que odiava aquele nome mais que tudo na vida - havia feito uma confusão na cozinha: esqueceu de tampar o liquidificador e 'voou' liquido marrom pra todo lado. G nem se abalou, o importante era que o bolo estava gostoso. E no mais, sua mãe sabia que não devia chamá-la por esse nome horroroso: Getinália! Onde é que já se viu alguém com um nome tão esquisito, estranho e feio como esses? Nunca entrara em detalhes com a mãe, mas sabia que a mãe quisera homenagear seus avós – Getúlio e Anália – mas tinha que ser justo no seu nome? Não tinha outra forma de fazer uma homenagem não?

Desfez-se dos pensamentos, arrumou a mesa da sala, colocou umas velinhas cor de rosa no bolo, caixas de suco, refrigerantes e os salgadinhos que havia encomendado sobre a mesa. Quando Mari chegou, as outras amigas já estavam na sala e G já havia retirado o bolo da geladeira (onde ficou por 1h aproximadamente). Mariana mal pode acreditar naquela mesa tão linda, aquela festa tão gostosa. E, quando experimentou o bolo, começou a encher a amiga de elogios, G sentiu-se a menina mais feliz do mundo!

Aos seus 12 anos, G já sabia: a vida é uma experiência deliciosa com as mais variadas pessoas (muitas delas más). Existem coisas boas e ruins – seu nome era prova disso - mas o que não podem faltar são os amigos. Os verdadeiros amigos são joias preciosas, devem ser cuidados carinhosamente. E ela tinha uma amiga valiosa que pretendia manter por toda sua vida.


segunda-feira, 4 de julho de 2011

Bananas Flambadas com Sorvete de Creme

O dia estava lindo, mas por dentro ela estava totalmente nublada. Sua alma estava cinzenta, seu espírito alagado. Então Thais se levantou, tentou ler um pouco e, quando já não agüentava mais, derramou-se em lágrimas. Foi impossível conter-se, as lágrimas simplesmente brotavam e, em segundos, ela estava chorando copiosamente. Estava infeliz, insatisfeita. Não Sabia onde perdera o rumo, nem se podia melhorar as coisas com uma única ação. Mas não importava, pois não tinha a mínima ideia de que decisão tomar. Qual seria a atitude correta para melhorar as coisas.

O telefone já tinha tocado várias vezes. Recebeu alguns convites os quais, normalmente, não declinaria. Mas não naquele dia. Não estava em condições de encarar programas sociais. Tomou um belo banho e se arrumou. Ligou para Bruno e quando se viu estava programando um almoço. Foi a melhor coisa que fez, tomaram umas cervejinhas, comeram bem e riram muito, muito mesmo. Naquele almoço tomou uma decisão: viajaria nas férias, independente da decisão que tivesse que tomar para encontrar o rumo em sua vida.

Antes de saírem do bar, Bruno, que já havia percebido a tristeza de Thaís derramando uma ou outra lágrima de vez em quando, disfarçadamente chamou o garçom e pediu sorvete de creme com bananas flambadas. Um docinho é sempre bom para levantar o astral.

Bruno lembrava-se bem da vez em que Thaís preparou essa mesma sobremesa para eles, usou:
2 bananas cortadas em fatias ou rodelas
1 xícara de açúcar
1 colher de sopa de manteiga
Raspas de limão
1 cálice de cachaça, rum, conhaque ou outra bebida (clara) que tenha em casa
1 copo de suco de laranja (opcional)

Derreteu a manteiga e dourou levemente as bananas, acrescentou as raspas de limão, uma pitada de canela e o açúcar até derreter. Nesse ponto adicionou o suco de laranja até virar uma calda. Colocou a cachaça e flambou (virou a panela na chama do fogão para pegar fogo) e mexeu até o fogo da panela se apagar. Depois, serviu uma bola de sorvete de creme e colocou as bananas por cima. A mistura da calda com as bananas e o sorvete fez daquela sobremesa  tão simples, um manjar dos deuses. Era perfeita: leve e deliciosa!

Dá pra  ver o fogo
flambando as bananas...
 
Quando a sobremesa chegou à mesa, Thaís mal pode acreditar. Seus olhinhos brilhavam tanto. Com a boca cheia d’água literalmente atacou o sorvete com as bananas. Estava tudo perfeito! O sabor era quase o mesmo de quando ela fazia aquela sobremesa. Bruno acertou em cheio: nada melhor para melhorar os ânimos que boa companhia, regada a cerveja gelada, com muita risada e uma deliciosa sobremesa. É, Thaís ainda não tinha a menor ideia do que fazer com sua vida, mas pelo menos por aquele domingo sentia-se mais leve e tranqüila. Várias coisas na vida valem a pena, só era preciso descobrir por onde seguir. E ela faria isso!