sábado, 16 de junho de 2012

Bavarese de morango, de cafe, de chocolate... do que te der na telha!


Desde que cheguei a Italia nao postei nenhuma receita e, fazendo um curso de culinaria Italiana isso soa meio estranho, eu sei. Mas voces nao imaginam a loucura que e uma escola de culinaria. Eu nao consegui fotografar o passo a passo de nenhuma receita, porque tem que prestar atencao e fazer e pensar em outra lingua e fazer tanta coisa ao mesmo tempo que nao sobra um minuto  para fotografar. No mais as receitas que aprendi sao, na maioria, um pouco menos simples do que as receitas que sempre posto aqui (para nao dizer bem mais trabalhosas) e – como a proposta inicial do blog e de receitas faceis para auxiliar no dia a dia daquelas pessoas que nao gostam de receitas complicadas ou que nao tem tempo para esperar 1h a massa descansar, por exemplo -  fogem totalmente do padrao.

Agora o curso terminou e eu estou fazendo um estagio num hotel 5 estrelas em uma cidade – minuscula - da Toscana italiana. A cidade, se e que eu realmente posso chamar assim, tem pouco mais que 15 km2 de area total (pode ser dificil de acreditar, mas depois da 3a pedalada eu ja estou em outra cidade). Ainda nao consigo fotografar o passo a passo, mas tenho aprendido algumas receitas bem gostosas que sao um pouco menos trabalhosas e podem encaixar-se na proposta do blog.

Essa receita que vou postar e a pedidos… Postei a foto do facebook e a galera surtou. E um doce de origem francesa, mas eu aprendi aqui na Italia, entao la vai…

Ingredientes: 

200 g de morango batido (puro)
90 g de acucar
3 gemas
250 ml de leite
400 ml de creme de leite batido quase em ponto de suspiro, nao pode ser muito firme
5 folhas de gelatine sem sabor diluidas em agua e espremidas (espremer na hora de usar)
1 pitada de baunilha

Bater as gemas, o acucar e a baunilha ate ficar firme. Aquecer o leite, sem deixar ferver e adicionar ao composto anteriormente preparado, mexer bem e voltar ao fogo ate alcancar a temperatura de 82 graus – dizendo o chef que isso nao tem jeito, tem que medir com termometro porque se passar dessa temperatura estraga o doce, aqui eu nao tenho como testar, mas li vaaaarias receitas e vi que o pessoal varia muito. Tem gente que leva ao fogo ate quase o ponto de ebulicao, aquele momento em que voce sabe que o leite esta `querendo comecar a ferver`, pra mim faz todo o sentido-  retirar do fogo assim que atingir a temperature (ou no caso de nao ter o termometro, esse ponto).

Acrescentar a gelatina e mexer bem. Deixar esfriar e acrescentar o creme de leite montado misturado com o molho de morango (morango batido).

Enformar – pode ser uma forma maior ou forminhas individuais – e levar a geladeira por aproximadamente 30 a 45 minutos (ver consistencia, deve ficar firme). Decorar a gosto.
Dica: para desenformar voce epode colocar a forma em agua fervente por mais ou menos um minute ou molhar a forma antes de enformar e forrar com filme plastico.

Variacoes:

Pode ser feito com qualquer fruta, sempre na mesma quantidade. Para as frutas com pouca agua, acrescentar pouquissima, so para facilitar bater.

Café – expresso 100 ml
       Soluvel 2 a 3 colheres de sopa

Bavarese individual ao cafe

Cacau – 3 colheres de sopa

Lembrando que as quantidades podem ser aumentadas ou diminuidas dependendo do seu gosto.

Devem ser misturados ao leite.

Qualquer tipo de castanha 200 g – deve ser triturada e misturada ao creme batido no final, como a fruta.

E, eu sei… o tal do termometro complica um pouco. E dessa vez e voce quem vai ter que testar a temperatura do leite para me dizer como foi, mas tirando isso e uma sobremesa bem facil, ideal para o verao por ser fresca e leve. No mais, a quantidade de acucar e pouca, entao nao fica enjoativa – o que pode ser um problema ne? da vontade de comer mais – mas o resultado e garantido.


Bem,  e isso. Primeiro post de receitas que tenho aprendido na Italia. Agora vou tentar voltar a postar mais frequentemente, se o ritmo permitir porque gente nao e por nada nao, mas eu estou trabalhando como um cavalo, daqueles de fazenda do interior onde so tem um cavalo que faz tudo sabe? rs rs rs rs Nao sobra muito tempo para fazer tudo o que quero como: viajar para as cidades vizinhas no unico dia de folga que tenho na semana, escrever, tirar varias fotos, falar com meu povo no Brasil, na Escocia, nos Estados Unidos (considerando a diferenca de fuso horario isso tem sido um problema), reencontrar o pessoal do curso, alimentar meu novo vicio – pedalar – ah e dormir porque eu preciso.

Quem fizer por favor posta aqui um comentario! 

terça-feira, 1 de maio de 2012

Salada verde a Edimburgo



Peco desculpas aos meus queridos leitores, mas ando sem inspiracao. Esquisitissimo admitir isso porque eu sempre tenho inspiracao para escrever e, quando deixei o Brasil em 12/02 desse ano, tinha a intencao de continuar postando semanalmente – inclusive porque achei que essas viagens todas me manteriam bem inspirada – mas a falta de tempo e alguma outra coisa nao tem contribuido tanto assim para me manter inspirada. As palavras me faltam…

Quem leu o texto sobre Edimburgo pode pensar que eu estou doida quando digo isso porque o texto ficou bem grandinho de tanto que falei, mas alguma coisa esta faltando. Nesse momento estou fazendo um curso de culinaria italiana em Lucca, na Toscana. O curso e de segunda a sexta das 9:30 as 14:30, tudo o que produzimos pela manha consumimos no almoco e no jantar, entao depois do almoco eu pego uma bicicleta e vou ao centro `estudar` italiano. Passo as tardes perambulando pela cidade conversando com os vendedores nas lojinhas de qualquer artigo nessa vida. Pergunto, falo, experimento… Uma forma deliciosa de aprender italiano! As vezes vou a alguma cidadezinha vizinha – dessas cidades italianas bem minusculas que ninguem conhece ou ouviu falar – so para conhecer e parlar… Ah, e experimentar o gelato, afinal preciso saber reconhecer o melhor!

Estar na Italia e nao falar sobre comida e uma coisa um tanto controversa. A Italia respira comida! Tudo aqui gira em torno da boa alimentacao, regado sempre a um bom vinho, claro! E – provavelmente porque eles sao muito bons nisso – para a maioria das pessoas a primeira coisa que vem a cabeca quando se pensa em gastronomia italiana e massa. Talharim, pene, rigatone, nhoque, espaguete, capelete, etc e tal regados aos mais diversos molhos bolonhesa, sugo, funghi, alho e oleo e claro, nao podemos esquecer a queridinha no mundo todo: a pizza. A verdade e que a gastronomia italiana e bem diversificada e as massas sao apenas uma parte dessa cozinha tao apreciada em cada continente. Tenho aprendido muito com o curso e esses dias uma amiga me deu uma ideia que vou experimentar a partir dessa semana: a cada semana vou escolher uma receita para escrever sobre e postar aqui.

Para essa semana ainda nao tenho uma receita eleita, entao resolvi trazer a voces uma receita simples que tenho sentido saudades diariamente: salada verde em Edimburgo. Quando estava na casa da Mara, na Escocia, comiamos salada quase que diariamente. A salada era sempre simples, mas muito saborosa: mix de folhas verdes rasgadas a mao (alface crespa e americana, rucula, acelga) , tomates cereja cortados ao meio e algum tipo de embutido que voce goste rasgado (presunto, salame, mortadela, etc). Usavamos azeite, pimenta do reino moida na hora, sal e sazon para tempera, as vezes limao. Queijo parmesao ralado na hora e pronto! E so isso. Eu sei que tem gente que se pergunta porque eu resolvi postar essa receita. Porque aqui na Italia, nao tenho comido tanta salada e morro de saudades. No mais, sim, tem gente que nao tem a menor ideia de por onde ir para fazer uma salada. Normalmente faziamos alguma carne grelhada para acompanhar a salada e as vezes um vinho branco.

Acho que, por mais que a Italia tenha essa magia que apetece a todos e o clima da Escocia seja `bruto` como se diz em italiano, estou com saudades de Edimburgo! 

Obs: a Mara vivia rindo de mim, sempre com a maquina tirando foto de tudo quanto era comida nessa vida...

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Estrogonofe de Camarao e Memorias

Vou comecar esse texto me desculpando com voces meus queidos leitores, com tanta mudanca na minha vida, acabei por deixa-los temporariamente de lado. Acho que nem todos sabem, mas agora estou morando na Escocia e esses ultimos tempos foram de preparacao para esse grande passo na minha vida. Ainda nao estou com tudo resolvido, mas vou tentar voltar a postar regularmente (todas as semanas). Espero que curtam essa receita (temporariamente sem fotos porque a Rosinha ainda nao me enviou), que e deliciosamente especial e simples. Com o adicional do que eu for vivendo por aqui!
beijos


Lavou os camarões  sem casca – 300g aproximadamente - e os colocou na panela com a água que já fervia há alguns minutos. Retirou-os quando estavam rosados, uns 3 minutos depois de tê-los colocado, e lavou-os com água fria para parar o cozimento.

Enquanto colocou 1 colher de sopa de azeite e 1 cebola média em cubos e começou a mexer até a cebola murchar, abriu o envelope que pegou na caixinha do correio. Coração em festa! Havia lido centenas de cartas com aquela letrinha inconfundível em sua adolescência/juventude.

Conheceram-se – ela e Kátia Maria – aos 12 anos, ambas, quando esta havia vindo morar em Brasília com a irmã mais velha, Zezé. Foi a primeira vez em que ouviu alguém falar de São Luís do Maranhão com tanta paixão: a ilha do amor.

Imersa em suas lembranças, quase deixou a cebola queimar, nesse momento adicionou 1 xícara de vinho branco seco e quando o álcool evaporou colocou 2 caixinhas de creme de leite e mexeu vigorosamente até incorporar. Corrigiu o sal e a pimenta, colocou os camarões e apagou o fogo. Acrescentou cheiro verde bem picadinho e experimentou: estava perfeito. O sabor era como se lembrava de ter apreciado esse prato feito por um amigo da Alessandra, que é amiga da Kátia Maria, numa das vezes em que voltou a São Luís. E perdeu-se nas recordações novamente...

Depois de alguns meses de intensa amizade, a Kátia teve que voltar para casa. Trocaram endereço e telefone e prometeram escrever-se com frequencia. E assim aconteceu.

Telefonavam-se de 2 a 3 vezes ao ano: 14 de abril, 14 de outubro e 25 de dezembro – aniversário de uma e outra e natal. Trocaram muito mais que simples correspondências por anos e anos. Havia histórias, segredos, as mais profundas confidências e desejos, banalidades, sonhos, experiências. Um pouco de tudo era registrado naquelas cartas. E cumplicidade, muita cumplicidade.
 
Folhas de caderno, papéis de carta decorados e até guardanapos de bares e restaurantes formaram aquele acervo com a história de cada uma. Reencontraram-se pela primeira vez depois de 17 anos, quando resolveu sair de Brasília rumo a São Luís: 36 horas de ônibus. Mas valia a pena, havia acabado de se formar em Turismo e ia finalmente reencontrar a amiga querida. Conheceria enfim a famosa ilha do amor e os lugares sobre os quais lera e imaginara tantas e tantas vezes naquelas deliciosas cartinhas. Conheceria os familiares e amigos da amiga, e seus filhos. Em momento algum teve medo de que as coisas não fossem como antes, sabia que apesar de tantos anos afastadas a amizade havia se solidificado.
 
O reencontro foi delicioso, como não podia deixar de ser. A amiga e seus filhos a levaram a descobrir cada pedaço da ilha: a Praia Grande, o Centro Histórico, o Bar do Rui, as infindáveis praças, as praias – Litorânea, Marcela – e seus arredores: São José de Ribamar, as praias do Raposo e Panaquatira. Uma vez foi parar em Barreirinhas com Kátia, e encantou-se com a beleza dos Lençóis Maranhenses quando esses ainda nem haviam sido ‘enrugados’ pelo turismo de massa.
 
Experimentou de tudo: arroz de cuxá, peixe pedra, geleia de pimenta, ostra, caranguejo com arroz de toucinho e o camarão seco feito de várias formas. A torta de camarão seco feita com ovos batidos e assada em forno médio (é só isso mesmo) é inesquecível. 

São Luís pode até ser chamada de ilha do amor pelos seus habitantes, mas para ela era muito mais que isso: era terra de alegria, gente querida, boa comida, grandes belezas e um dos lugares escolhidos para passar a lua-de-mel.

Foi retirada de suas memórias com o barulho das chaves do marido abrindo a porta. Beijou-o, fechou o envelope e, enquanto servia a mesa lembrou-se de que foi a internet com os tais e-mails que lhe tiraram a deliciosa sensação de esperar por uma cartinha de um amigo querido, de abrir a caixinha do correio ansiosa pela chegada de notícias e novidades, coisas boas ou não. Ah.... as velhas e deliciosas cartinhas!

Obs.: Para acompanhar bastam arroz branco e batata palha. Refiz essa receita pouco antes de deixar o Brasil, na casa da Rosinha. Foi um almoco para nos duas e mais a Edna. Ficou uma delicia, o sabor me encheu de memorias. Agora e so aguardar e pedir a Deus que um dia essas fotos realmente cheguem.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Desculpem

Meus queridos amigos e leitores,

por favor desculpem minha ausência durante esse mês, é que com os preparativos para a mudança não tenho conseguido tempo, mas vou me organizar e assim que possível voltarei a postar regularmente. A próxima receita é um estrogonofe de camarão fantástico que aprendi em São Luís, só estão faltando as fotos.
um beijo e obrigada pela fidelidade e paciência.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Brasília, 01 de janeiro de 2012.

Involtine de Melanzane

“Esse blog não se destina a críticas, mas quando o lugar merece podemos tecer elogios e compartilhar, para que mais pessoas possam experimentar, avaliar e compartilhar!”

No primeiro dia do ano, bem como no dia 25 de dezembro, normalmente está tudo fechado em Brasília. A cidade parece um deserto. Como se todo mundo o tivesse debandado sem olhar para trás: ou o povo está curtindo a ressaca ou está descansando por ter ralado muuuuito na noite anterior. E para quem deseja fazer alguma coisa fora de casa a complicação é grande. Mas no primeiro dia desse ano, minha mãe me convidou para almoçar e resolvemos sair à caça de um lugar aberto para tal fim.  

Resolvemos entrar em cada comercial da Asa Sul até encontrar um restaurante que nos agradasse para o primeiro almoço do ano. Nossa busca, porém, não demorou muito. Passamos pela 216/15 e pela 214/13 sem nos dar o trabalho de entrar, pois nada nos veio à memória situado nessas quadras. Resolvemos começar pela 212 sul, onde me lembrei, havia uma Confraria do Camarão. Para nossa surpresa, porém, no lugar da casa especializada nesse fruto do mar que me rouba a atenção, havia uma cantina italiana: Hostaria Dei Sapori. E a melhor parte: estava aberta! Decidimos descer e conhecer o cardápio.

Logo de cara gostamos do ambiente, aconchegante e acolhedor, embalado por música italiana proveniente de uma rádio italiana, e com uma decoração simples e agradável. Giuseppe, um dos donos do restaurante, nos recebeu à entrada e foi bem simpático. Deu-nos o cardápio e a carta de vinhos para conhecer e nos deixou bem a vontade.

Tipicamente italianos, os pratos que compõem o cardápio deixaram-me com água na boca já nesse momento. Optamos por ficar. Até porque, era uma bênção divina encontrar um lugar tão gostoso aberto no dia primeiro de janeiro, melhor não perder tempo procurando outras coisas e se arriscar a encontrar qualquer botequim de esquina.

Quando entramos na Sala Colosseo, onde ficam as mesas, gostamos mais ainda do ambiente pitoresco que encontramos. Várias fotos da Itália compõem a decoração leve do lugar. Sentamo-nos a uma mesa de frente para a rua, bem no cantinho. Pedimos um vinho italiano – claro - e começamos por degustar um pão italiano (isso está ficando muito repetitivo? rs rs) feito na casa. Por mim podia parar por aí! O pão é perfeitamente saboroso! Pão e vinho já me bastariam, mas o lugar guarda sabores muito mais elaborados em seu menu. E o chef nos surpreendeu com uma cortesia de lentilhas, para começar bem o novo ano. Bom, muito bom!
Atum e Salmão cru

Pedimos o menu degustação para duas pessoas – que no nosso caso serviria três com certeza – composto por 2 entradas, 2 primeiros pratos (massas), 2 segundos pratos (normalmente carnes) e 2 sobremesas. É muita comida, mas não tinha nada que não estivesse realmente delicioso. Duas coisas porém, me chamaram a atenção de maneira extraordinária: o Involtine de Melanzane – finas fatias de berinjela, recheadas de camarões e gratinadas com queijo parmesão – e o Risoto de Lagostim, com um sabor amanteigado peculiar que mantém leveza. Ambos de sabores suaves, porém marcantes. As berinjelas derretem na boca, liberando um sabor único devido à mistura com o camarão. É perfeito!
Fritto Misto e Fritatta com beringela e abobrinha
e um creme levemente temperado
Penne ao pesto e Risoto de Lagostim

Schiacciato de chocolate,
Panna Cota e
Tiramissú
De sobremesa experimentamos um trio: Tiramissú, Pana Cota e Schiacciato de chocolate. Tudo estava sinceramente delicioso, mas é claro que o Tiramissú arrebatou meu coração e me fez inclusive, pedir mais um pedacinho. É um manjar dos deuses!

Tiramissú, o rei do meu paladar doce!
Para completar essa experiência gastronômica o atendimento do local é realmente bom. Os garçons são muito atenciosos e Giuseppe veio à mesa continuamente para saber se estávamos sendo bem servidas e se estava tudo agradável. Ao que nossa resposta foi sempre: sim!

Ok, não posso simplesmente ficar babando o lugar sem comentar sobre os preços. Vocês devem estar curiosos para saber esse “detalhe”. Bem, os preços são justos. Pelo tamanho das porções e pelo sabor que você degusta a cada garfada, os valores fazem jus ao conjunto: ambiente, comida e serviço.

Nessa mesma semana levei minha amiga Shirley para conhecer o local e ela não se arrependeu, na verdade já quer marcar um retorno para experimentar outras delícias daquele cardápio!

O que sei dizer, querido leitor, é que essa experiência gastronômica fez com que o primeiro dia desse ano de 2012 fosse inesquecível e, se a culinária italiana é agradável ao seu paladar e você está procurando um bom lugar para degustá-la, procure a Hostaria Dei Sapori e depois poste aqui seu comentário. Asseguro-lhe de que não se arrependerá. 
Feliz Ano Novo!

domingo, 1 de janeiro de 2012

Cheese Cake com Deus


Uma das coisas que mais a acalmava era caminhar na areia da praia. A praia lhe trazia uma sensação de proximidade de Deus absurda! Ao longo dos anos, sem perceber, tinha criado um ritual: quando chegava à praia – qualquer praia que fosse – retirava as chinelas e pisava a areia com vontade. Aquilo lhe dava uma sensação de bem estar incomparável. Depois, procurava uma mesa, tirava a roupa e sentava-se com os pés literalmente afundados na areia, de frente para o mar. Impagáveis, momentos como esse!
A forma não precisa ser forrada,
nesse caso forramos a forma por motivos
particulares. 

Depois de algum tempo, ia caminhar na praia. Normalmente deixava os outros na mesa e saía. Sozinha. Sozinha? Não, sempre em companhia do ‘seu amigo Deus’. Aquele era um momento de intimidade único. Alícia conversava com Deus. Na verdade, conversava com Ele diariamente, mas aqueles momentos eram sem explicação. Ela simplesmente sentia uma presença fortíssima, uma vontade intensa de conversar por horas e horas e horas... agradecia. Pedia. Agradecia mais. Conversava com seu amigo. Agradecia de novo. Mergulhava. Convidava seu amigo para entrar no mar. Conversava mais. Cantava e dançava com seu amigo. Agradecia outra vez. E com Ele divertia-se muitíssimo. Era notável.

Conversavam sobre vários assuntos. Naquele período em especial, Alícia sentia-se profundamente grata. Então a maioria das conversas era para agradecer. Agradecer pela vida, pelos amigos, pela família, pelas oportunidades. Pelo fechamento de um ciclo. Longuíssimo. Agradecia até pelo que pedia mesmo sem ainda ter conseguido. Nessas conversas tomava decisões, pedia opiniões e discutia ideias e receitas. E foi numa dessas conversas que surgiu uma ideia de testar essa receita que havia visto já há algum tempo.

Chegou em casa, abriu o pen drive e começou a ler a receita:

Cheese Cake Romeu e Julieta

Massa

200g de biscoito de maisena triturado no liquidificador
3 colheres de sopa de manteiga derretida
·         Misture os dois ingredientes até formar uma farofa úmida
·         Forre uma forma de aro removível com +/- 20cm de diâmetro - fundo e lateral - asse por aproximadamente 5 minutos e reserve.

Recheio

¾ de xícara de leite bem quente
3 colheres de sopa de manteiga
3 ovos
400g de ricota
1 lata de leite condensado
·         Misture a manteiga no leite quente, coloque no liquidificador e aos poucos vá acrescentando a ricota, os ovos e o leite condensado, batendo bem.
·         Coloque sobre a massa e asse em forno médio, por aproximadamente 30 minutos ou até que fique bem firme, sem deixar queimar a massa.

Geléia de Goiaba
·         Corte pequenos pedaços de goiabada, acrescente um pouco de água e ferva, para deixar bem mole.
·         Deixe esfriar e coloque sobre a torta
·         Leve à geladeira e sirva gelado.

Também seria possível substituir a geleia de goiaba por geleia de morangos, framboesa, cereja, frutas vermelhas... Mas aí não seria Romeu e Julieta... Bem, mas não seria um problema realmente. Afinal de contas, morangos picadinhos misturados com geleia de morangos e cobrindo um delicioso Cheese Cake... Não, isso não podia dar errado. Assim sendo, pegou um pote de geleia de moragos, juntou uma caixa de morangos picados e um pacotinho de gelatina sem sabor dissolvida e colocou essa mistura por cima do bolo.

Terminada a torta, Alícia serviu duas porções: uma para ela, outra para seu amigo Deus. Sentaram-se na varanda e olhando aquele belo por do sol, degustaram em silêncio aquela delícia. A textura do recheio era macia, leve e saborosa, enquanto a massa parecia estar ali apenas para dar suporte aquele doce. Macia e consistente, a massa era agradável às papilas gustativas. Mesmo não sendo goiabada e queijo, eram um perfeito Romeu e Julieta, porque um realmente completava o outro.


Era a sobremesa perfeita para degustar em companhia tão nobre e agradável. Aliás, na companhia mais agradável que poderia pensar. Pra falar a verdade, era uma sobremesa perfeita, em qualquer ocasião! 


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Torta de Banana em Jericoacoara


O perfume doce e marcante da banana que vinha lá de dentro era delicioso. Selena ficou ali, do lado de fora da casa, com a cabeça enfiada na janela, quase se jogando dentro do salão daquela casinha branca de janelas marrons, em uma das quatro ruas de Jericoacoara. O que lhe chamara a atenção, fora mesmo o aroma que vinha de lá.

A princípio era apenas um cheiro gostoso e adocicado que tomava conta de toda a rua. Mas quanto mais se aproximou, os perfumes iam se apresentando um após o outro, e instigando o paladar de Selena. Conseguiu detectar o familiar aroma de banana, mas havia algo mais: o aroma era doce, amanteigado, tinha um leve toque de canela. Sim, tinha canela.
Quando não se aguentou mais bateu palmas desesperadamente pela janela e ficou a espera de alguém que pudesse lhe esclarecer o que exalava um perfume tão saboroso. Logo apareceu uma mocinha: magrinha, pequenina, loira e bem feita de corpo que com seus olhos bem verdes assustou-se ao ver Selena sentada no beiral da janela com as pernas já dentro do salão.

Pois não? - perguntou a moça, educadamente.
Bom dia! - disse Selena sorrindo. - Esse cheiro delicioso que me trouxe da rua até aqui é de que?
Ah, o cheiro de banana? É da torta.
Torta é? Hummmm e é pra vender?
É. Mas estamos fechados no momento. Essa é encomenda.
Sei. Mas você não pode me vender essa torta e fazer a outra da encomenda?
Na verdade não, porque se o cliente chegar e a torta dele não estiver pronta, é ruim pra gente.

Selena não queria saber, precisava comer daquela torta. O cheiro de banana já havia entranhado por todo o seu ser e ela já podia sentir o sabor mesmo antes de experimentar. Então arriscou:

Será que você não teria pelo menos um pedaço para me vender? Para eu experimentar? É porque esse cheiro está deliciosamente gostoso e eu realmente gostaria de provar essa iaguaria.

A menina sabia com o que estava lidando. Não raro pessoas paravam à janela para perguntar o que era aquilo que cheirava divinamente bem ou se não havia torta para vender e sempre lhes informava o horário de funcionamento e, com muito jeito, pedia que voltassem mais tarde quando poderiam ser servidos da melhor maneira possível. Mas daquela vez, não sabia bem o porquê, simpatizou com aquela mulher sentada na janela e lhe serviu um pedaço que havia guardado para uma amiga que viria lhe visitar mais tarde.

Ao dar a primeira mordida no pedaço de torta, Selena teve a sensação de estar flutuando. O sabor da banana bem doce, polvilhada com canela e acentuada com o sabor da manteiga que não sabia bem se vinha da massa ou da própria banana era perfeito. E aquela massa macia que desmanchava na boca fazendo suas pupilas gustativas entrarem em festa: Uau! Que torta maravilhosa! Menina, que horas mesmo você me disse que a loja abre? Tenho que trazer meus amigos aqui.

Desmanchando-se em agradecimentos e perguntas, Selena não parava de falar. E a menina, olhando-a fixamente não entendia bem porque as pessoas sempre reagiam daquela maneira. A torta era a coisa mais simples que ela já havia feito em toda a sua vida, chegava mesmo a ser bestinha, mas todo mundo se maravilhava com o resultado. Ficou pensando nos ingredientes e enumerando o passo a passo mentalmente para ver se descobria o motivo:

100grs manteira em temperatura ambiente
1 ovo grande
1 xícara de açúcar;
1 colher de sopa de fermento;
2 xícaras de farinha de trigo;
bananas cortadas em fatias ao longo do comprimento e canela a gosto.
Formar uma massa com as mãos até ficar homogênea, forrar uma assadeira (não precisa untar), dispor as bananas colocar açúcar e canela, levar ao forno.

Não... não tinha nada de mais nessa receita. Era simples. Fácil. Com ingredientes comuns, do dia a dia. A diferença era que antes de colocarem as bananas sobre a torta, elas passavam as bananas na frigideira com um pouquinho de manteiga. Sem deixar fritar, só dourar um pouco, para acentuar o sabor da banana. Depois polvilhavam canela sobre as bananas e levavam a torta ao forno pré-aquecido em 200º por aproximadamente 30 minutos ou até o palito sair limpo. Só se essa passadinha da banana na manteiga fosse o segredo.

Realmente, era muito besta aquela receita. Então, Marilene lembrou-se de quantas tortas ainda tinha que fazer, quanto trabalho ainda tinha pela frente e do horário que avançava nada lentamente e deixou os pensamentos de lado e despachando Selena gentilmente, retomou os ingredientes, colocou na bacia e pôs-se a amassar. Dali a pouco, os clientes começariam a chegar, mais encomendas a entregar e a loucura tornaria a se instalar! 

domingo, 11 de dezembro de 2011

Risoto de Abóbora com Gorgonzola


A infância difícil fez com que Diana se determinasse a ter uma vida digna quando adulta. Quando criança por vezes passara fome e tivera de dividir a comida com os irmãos, mesmo sentindo fome. A comida não era suficiente para toda a família. O pai abandonara-os quando os gêmeos eram ainda bebês e toda a carga da família ficara com sua mãe.

A doce Anália! Logo que engravidara dos gêmeos, Teobaldo suplicara para que ela deixasse o emprego para ser mãe em tempo integral. Graças a Deus, Anália amava demais o que fazia para escutar o marido. Continuou trabalhando duro. Viviam uma vida difícil porque tanto Anália quanto Teobaldo ganhavam pouco, e com três crianças tinham muita coisa para pagar. Quando ele sumiu de casa, Anália pensou que não daria conta. Conseguiu, até onde a vida a permitiu, criou três belos filhos.  Mas a vida não estava disposta a ser benevolente com Anália, levou-a cedo. Quando os gêmeos estavam com 15 anos, Anália teve uma doença grave e foi-se. E toda a carga ficou com Diana, com 21 anos então.

Diana, que trabalhava de ajudante de cozinha numa cantina italiana, mudou-se para mais perto da escola dos meninos e resolveu que iria fazer faculdade de gastronomia. Começou a trabalhar dobrado na cantina para acumular não só conhecimento, como também o dinheiro necessário para sustentar seus irmãos e pagar a faculdade. Conseguiu uma bolsa numa boa faculdade bem longe de casa. Tinha que pegar um ônibus e o metrô e ainda carona com uma colega da estação até a faculdade. Chegava em casa depois da meia noite e acordava às 5 da manhã. Em nenhum momento, esmoreceu pois. A cada dia, quanto maior a dificuldade, maior a determinação de Diana.

Até que chegou o grande dia e Diana formou-se. Os gêmeos estavam lá, sentados na primeira fila de convidados, aplaudindo e assobiando para a irmã. Como se amavam aqueles três! Aquela era uma conquista de toda a família. Por Anália! Até seu Giuseppe, o dono da cantina onde ela trabalhava, estava lá, com seus colegas de trabalho. Com lágrimas nos olhos, Diana recebeu o diploma, o ergueu aos céus e agradeceu a Deus.

Todos haviam sido convidados para comemorar na cantina do seu Giuseppe, mas Diana seria a chef daquele momento. Ela havia pensado numa receita super especial: Risoto de abóbora com gorgonzola.

Para duas pessoas a receita levava:
250g de arroz arbóreo
250g de abóbora em cubos, cozida
1 colher de sopa de azeite
1 colher de sopa de manteiga
1 cálice de vinho branco
100g de queijo gorgonzola
abóbora em cubos, frita para decorar
Caldo de frango
Alecrim

Porém Diana teve que aumentar a quantidade de ingredientes devido ao número de pessoas presentes. E começou a fazer:

Colocou o azeite e a cebola na panela até dourar. Juntou o alecrim e mexeu mais, até exalar seu perfume. Acrescentou o arroz (sem lavar) e mexeu até que ele ficasse transparente por fora e branco por dentro. Nesse momento adicionou o vinho até evaporar o álcool. A partir de então começou a colocar o caldo de frango concha por concha, sem deixar o arroz secar por aproximadamente 15 minutos. Nesse ponto acrescentou a abóbora cozida e o gorgonzola. Misturou. Acrescentou a manteiga e mexeu para dar cremosidade.
Serviu o risoto decorado com cubinhos de abóbora fritos e de gorgonzola, azeite e pimenta do reino moída na hora.

Os gêmeos sempre foram fãs da comida feita por Diana. Comiam e repetiam desde crianças. Naquele dia, parecia que estava tudo muito mais saboroso. Achavam que a conquista, o diploma e o amor tinham temperado melhor aquela comida. E aplaudiram a irmã de pé. Seguidos pelos outros convidados, que também aprovaram aquela combinação de sabores.

A suavidade da abóbora foi acentuada pelo sabor marcante do queijo gorgonzola, e a textura daquele risoto era extremamente macia. Ao chegar à boca, a mistura dos dois sabores era notável e sutil ao mesmo tempo. Uma refeição leve e inesquecível, digna de comemoração de momentos especiais!  

Quando os colegas estavam retirando os pratos, para servir a sobremesa, também criada e preparada por Diana, seu Giuseppe fez um convite: Diana, tu sei una buoníssima chef. E Carlo non trabalha mais na cantina. Quer ser a nova chef da Cantina Giuseppe? Che me dice tu?

Era muita emoção para um só dia! Com lágrimas nos olhos Diana foi abraçada pelos gêmeos que a ergueram nos ombros enquanto todos aplaudiam. Seu Giuseppe era só sorrisos e Diana, bem Diana sabia que aquele era apenas o começo de uma estrada de muito sucesso. A miséria e as dificuldades estavam sendo postas para trás, numa estrada trilhada rumo a uma vida melhor. Uma vida bem melhor.

domingo, 27 de novembro de 2011

Pasta Rústica de Alho


Foi no Icaraí-CE que nasceu a Pasta Rústica de Alho. A Rê conseguiu emprestada uma casa de praia num condomínio super gracinha (assim como ela) com uma piscina enorme bem de frente para a casa e com vista para o mar – a vista era algo discutível, mas subindo na mureta da varanda atrás da casa, a gente via o mar. A praia do Icaraí já foi bem melhor, mas quem liga? O importante é estar com pessoas queridas num lugar bem gostoso. E mar é mar.

Saímos no sábado: eu, a Cri, a Rê e a Liana. Fomos no carro da Liana até o Icaraí, deixamos as coisas na casa e caminhamos – sim, caminhamos – até a praia do Icaraí, aquela que não está mais grandes coisas. Apesar do mar estar um tanto forte e ter pedras tão grossas como cacos de vidro na praia, foi bem divertido. Mas nada se comparou a chegar ao condomínio e cair naquela piscina deliciosa depois de um dia de praia. Ficamos ali conversando besteiras quando a Rê teve a brilhante ideia de fazermos um churrasco. A concordância foi geral: saímos, compramos carne, grelha e carvão e o churrasco rolou até mais tarde.

No domingo, fomos até a praia da Tabuba, um tanto melhor. Não comemos nada na barraca e voltamos para fazer um novo churrasco na varanda atrás da casa. Na piscina, eu tive a ideia de fazer uma pasta de alho, mas não tínhamos alho. Então a Cri sugeriu eu usar toda a minha carinha de madeira e pedir no bar do condomínio uns 2 dentes de alho. E não é que a ideia deu certo? A mulher do bar me cedeu os alhos sem pestanejar. Só que também não tínhamos os outros ingredientes que normalmente usamos para fazer a pasta de alho (creme de leite, maionese e requeijão), mas tínhamos pão, muuuuuito pão.

Assim, misturei 2 pães carecas (aqueles de cachorro quente) em meio copo de leite (aproximadamente 100 ml) e com um garfo bati até ficar homogêneo e reservei. Piquei os 2 dentes de alho em pedacinhos bem pequenos. Por sugestão da Cri – estava sugestiva a pessoa -  piquei meia cebola e um pedaço de queijo coalho em pedaços bem pequenos e misturei com o alho, a cebola e o queijo. Temperei tudo com azeite, sal e orégano e adicionei a mistura de pão com leite mexendo bem. Passei a mistura em abundância em uma fatia de pão de forma e cobri com outra fatia, como se fosse o recheio de um sanduíche e a Cri colocou na grelha.

Quando o pão estava dourado dos dois lados, ela tirou e cortou em pedaços pequenos. Servimos. Comemos. Nos entreolhamos. Olhamos para as meninas e sim, a aprovação foi geral. Estava escrito nas carinhas delas. Aquele foi o melhor pão de alho que já comi em toda a minha vida! Foi opinião unânime, todas gostamos. O negócio ficou tão bom que ali, naquele momento ficou decidido que entraria para o blog. Não tinha como ficar de fora. Ficou perfeito em sabor e textura. Imediatamente a batizei de Pasta Rústica de Alho. Criação própria.

Passamos mais algum tempo ali antes de retornar a Fortaleza. E aquela Pasta Rústica de Alho ficou na lembrança, deixando aquele gostinho de quero mais de que tanto gosto. Na vida isso é uma das coisas que valem a pena: comer gostoso na companhia dos amigos em um lugarzinho pitoresco! (a Rê adora essa palavra!)

E eu tenho do que reclamar?


Variação 1: Pasta de alho misture iguais medidas de creme de leite (½ caixa), maionese (½ pote) e requeijão (½ copo), com 2 a 3 dentes de alho e bater tudo no liquidificador/processador. A quantidade de ingredientes depende da quantidade de pasta desejada.
  
Variação 2: Pasta de alho light: 1/3 de ricota, 1 pote de iogurte natural, 2 a 3 dentes de alho. Bata tudo no liquidificador ou processador. 
Essa base de ricota com iogurte natural serve para fazer pasta de sabores variados: azeitona, atum, peito de peru defumado... depende do gosto e da criatividade. 

Para todas as receitas, a quantidade de dentes de alho depende do gosto de cada um, quanto mais alho, mais picante.
Se desejar acrescente orégano e/ou pimenta do reino ou calabresa às pastas.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Risoto ao Funghi da Déa


Durante essa minha estadia em Fortaleza tive a oportunidade de reencontrar a Déa, a Mel e a Ana – amigas queridas dos tempos em que residi no Ceará - e fazer atualização dos fatos: quem casou, quem separou, quem teve filhos e quem não mudou a vida. Bem, quem não mudou a vida não há, afinal foram 5 anos longe, e em tanto tempo, querendo ou não, a vida muda. E muito! Mas todo mundo está bem e a conexão e amizade que havia entre nós - felizmente - não mudou.
Mel, Eu, Ana e Déa

Entre encontros e reencontros, resolvemos marcar um jantar na casa da Andréa regado a muita conversa agradável, risadas gostosas e bons vinhos. Tiramos fotos até do pensamento de cada uma, e a diversão foi ingrediente indispensável. A Andréa decidiu fazer um risoto ao funghi e, a pedidos, eu faria um Escondidinho de Morangos.

Na sexta-feira depois do trabalho fui com a Ana para a casa da Déa, a Mel chegou depois. Estava tudo muito lindo: a Déa colocou umas velinhas espalhadas pela varanda e boa música rolando na sala, organizou a mesa com petiscos bem gostosinhos e nesse ambiente tão aconchegante nos instalamos - e a conversa correu solta!

Lá pelas tantas a Déa disse que precisava colocar o funghi de molho. Então começamos a preparar o jantar - Adoro esse ritual! - Ela disse que, quando o risoto é o prato principal, ela usa 50g de funghi para até 3 pessoas. Nesse dia ela usou 75g porque éramos 4. Então ela lavou os funghis em água corrente e deixou-os hidratando em vinho branco de boa qualidade por 45 minutos (é preciso colocar os funghis em uma vasilha e cobri-los com o vinho, sem dó).

Enquanto esperávamos: mais conversa, mais vinho, mais risadas e mais fotos. Relembramos histórias que vivemos juntas, episódios engraçados, um pouco da vida de cada uma nesse meio tempo, um pouco da vida atual, falamos sobre viagens, sobre planos para o futuro, um pouco de cada coisa, um tanto de cada uma. E 45 minutos depois...

Saímos da varanda em direção à cozinha para dar início ao prato principal. Nesse clima descontraído, eu terminei a sobremesa que ficou na geladeira aguardando o momento de degustação e fiquei observando a Andréa preparar o risoto:

Ela refogou a cebola no azeite de oliva e quando estava bem "transparente", espremeu o funghi e colocou-o na panela. Deixou refogar e acrescentou o arroz arbóreo. Quando o arroz estava bem misturado e escurinho, acrescentou o vinho em que foi hidratado o funghi e deixou-o evaporar um pouco, mexendo sempre. Depois acrescentou aos poucos a água com o caldo de carne para ir cozinhando o arroz. Mexendo sempre, para que o risoto ficasse bem cremoso.
Acertou o sal e a pimenta e quando estava quase pronto (mais ou menos 18 minutos), acrescentou 1 colher de margarina e o queijo parmesão.

Durante a preparação, vários aromas aguçaram meu paladar. Acredito que aguçaram nossos paladares, mas eu estava completamente imersa naquele preparo e entreguei-me de corpo e alma. De início a fragrância da cebola refogando no azeite encheram o ar. Logo após, o agradável odor do funghi exalou e preencheu o ambiente seguido pelo suave perfume do vinho branco. Nesse momento eu já estava com os sentidos afiadíssimos e feliz de poder estar ali: curtindo aquele momento, com aquelas pessoas tão queridas e ter a oportunidade de me deleitar com aquela receita tão cheia de aromas.

Risoto pronto fomos todas ao quintal onde a mesa estava posta bem lindinha! Sentamo-nos e cada uma se serviu de uma generosa porção de risoto. Logo na primeira garfada, surgiram os elogios, totalmente fundamentados, àquela perfeita alquimia de gostos. Havia ali não só uma deliciosa combinação de perfumes como também um harmonioso ajuste de texturas e sabores.

Pouco depois do jantar, comemos a sobremesa, que também recebeu seus elogios (dessa vez usei coco ralado no brigadeiro branco, ficou ótimo). Mas na minha memória, o risoto foi - com toda propriedade - o rei daquela noite tão agradável de reencontro. É claro que o sabor do risoto só não ganhou do deleite do reencontro, porque matar saudades tem um sabor imbatível!

E - porque após 5 anos de ausência, nos pareceu justo descobrir e conhecer um pouquinho mais de cada uma - ao final da noite ficou decidido um próximo encontro na casa da Ana. Com novos sabores, novas texturas, novas alquimias... Adooooro, receitas, reencontros, amigos: é o que há de melhor na vida!

 Ingredientes utilizados no risoto (para 2 pessoas):
- funghi (eu uso 50 gramas para até 3 pessoas)
- 1 cebola picada em cubos bem pequenos
- 1 caldo de carne diluido em uma panela de água (uso uma panela pequena, mas deve ser uns 2 litros)
- pimenta
- sal
- vinho branco
- 1 xícara de arroz arbóreo
- 1 colher sopa de margarina
- azeite de oliva
- Parmesão ralado