Alissa sempre gostou tanto de receitas que
prestava atenção em qualquer lugar: filmes, revistas, conversas alheias (é
sério! Sabia que era feio prestar atenção nas conversas alheias, mas isso já rendeu
algumas boas receitas). Era assim: onde havia uma receita, estava de antena
ligada.
Uma vez uma amiga de infância indicou um
filme – a vida pra ela era assim: além de viajar e experimentar novas receitas
adorava um cinema – ela disse que tinha visto e achou a cara de Alissa. Teve
que ir conferir.
O nome do filme (que existe mesmo) é O
Tempero da Vida e se passa parte em Istambul e parte em Atenas, na Grécia. O
avô do protagonista tem uma loja de temperos, e ele faz uma metáfora usando os
temperos para ensinar astronomia, geografia e coisas da vida ao protagonista
quando criança.
Enfim, Alissa gostou muito do filme, a
história era boa, as metáforas interessantes e como complemento a boa música e
as poucas paisagens mediterrâneas. Mas é claro que o que chamou a atenção foi a
receita de Almôndegas que o avô ensina: carne moída, miolo de pão, alho, sal e
pimenta a gosto e, canela em pó – é isso mesmo, canela em pó para temperar
carne! - Tempera a carne com todos os temperos e o miolo do pão, amassa bem e
depois faz as almôndegas. Frita em óleo bem quente.
Ali, o Sr. Vassilis - avô do menino - ensina
que se usa a canela em lugar do cominho por ser este muito forte e deixar as
pessoas introspectivas. Já aquela é ao mesmo tempo doce e amarga – como todas
as mulheres – e faz com que as pessoas olhem nos olhos umas das outras. A
mulher que está aprendendo o truque vai cozinhar para a família do pretendente
e o Sr. Vassilis diz que, se ela pretende dizer ‘sim’ em resposta ao pedido de
casamento deve usar a canela.
Óbvio que depois do filme essa receita foi
testada em casa com um molho com tomates frescos batidos no liquidificador,
cebolas em cubos bem pequenos refogada em azeite, sal a gosto e uma pitada de
açúcar para quebrar a acidez do tomate. Como toque final, uma pitada de canela
em pó também no molho. Para as almôndegas usou 500g de carne moída, miolo de 1 pão (ou 1 colher de sopa de farinha de rosca/trigo), 1 colher de sopa de alho amassado, sal e pimenta do reino a gosto e 1 colher de sopa de canela.
Ao degustar essas almôndegas, ficou constatado que realmente a canela dá um toque especial à receita, e os simples bolinhos de carne passam a ter um sabor fora do convencional. Alissa usou também farinha de rosca ou de trigo quando não tinha o miolo de pão, e a receita ficou muito boa. É apenas uma colher de sopa para 300g de carne,
Ao degustar essas almôndegas, ficou constatado que realmente a canela dá um toque especial à receita, e os simples bolinhos de carne passam a ter um sabor fora do convencional. Alissa usou também farinha de rosca ou de trigo quando não tinha o miolo de pão, e a receita ficou muito boa. É apenas uma colher de sopa para 300g de carne,
Com o passar dos tempos Alissa experimentou
receitas com canela em outros pratos e não é que a coisa funciona?! Há que se
ter em mente que uma pitada é uma pequena porção e não uma colher de sopa
cheia! Mas essa coisa de usar o tempero errado para provar um ponto de vista
pode nos levar a lugares antes inimagináveis.
A Grécia era um lugar ainda não explorado por Alissa, Istambul tampouco. Somente através de filmes e livros. Tinho vontade de conhecer ambos os lugares pela culinária exótica, pela diversidade cultural, pela diferença que há intrínseca nas vidas dos habitantes desses lugares. Enquanto não podia estar lá de corpo presente, fechava os olhos enquanto degustava as receitas imaginando-se nesses lugares mediterrâneos... E meditava na diversidade de temperos para cada vida. E para você, qual o tempero da vida?
Obs.: Quem me falou desse filme foi a Dri (aquela minha amiga de infância que insiste em estar bem presente na minha vida, graças a Deus) e o filme é O Tempero da Vida, vale a pena locar.




